Segundo as escrituras apagadas de Catalina Pestana…A pedofilia deixou de ser transversal?

Catalina Pestana a propósito da pedofilia existente em Portugal, falou, denunciou e escreveu de forma corajosa e arriscada sobre o que se passava na nossa sociedade, de maneira transversal, em vários sectores da sociedade portuguesa: na política, na igreja, nas sociedades secretas, na comunicação social, na diplomacia, nas instituições de ensino…etc…etc…
Tinha para se defender, uma forma peculiar de escrever cheia de metáforas, muito usada em tempos de ditadura…não tivesse ela sido muito amiga de Zeca Afonso e filha de um opositor “dos duros” ao regime salazarista. Os seus textos eram publicados semanalmente nos jornais e claro está, recheados de analogias que incomodavam muita gente…poderosa.
A semana passada, as declarações do nosso bispo D. Américo Aguiar a propósito dos abusos sexuais sobre crianças por parte da Igreja, levaram-me a pesquisar no Google, os textos antigos escritos por Catalina Pestana enquanto era viva… e…para meu espanto, as suas “escrituras” transversais à sociedade portuguesa tornaram-se invisíveis por terem sido apagadas com lápis azul do ciberespaço…
Desta forma, após alguma reflexão, entendo e faço a minha interpretação pessoal do que o nosso bispo D. Américo Aguiar nos tentou dizer de forma subliminar: Portugal há uns anos foi notícia mundial por ter tido inúmeros casos de pedofilia em sectores de poder ao mais alto nível…e passado poucos anos tudo foi apagado e sobre os casos dentro da Igreja continua-se insistemente a falar e bem, a meu ver…mas será que então fora da Igreja, a pedofilia deixou de existir?
Num país em que, até há pouco tempo, havia redes poderosas pouco vistas como noutros locais do planeta continuamos a assobiar para o lado como canta o Carlao..
Redes de pedofilia como por exemplo no caso Maddie em que um pedófilo alemão vivia alegremente em Portugal sem ser importunado.
Não será dever das autoridades e da comunicação social continuar a investigar a pedofilia nestes casos e noutros, além da Igreja?
As afirmações de D. Américo Aguiar é de alguém que sabe mais do que diz mas que por ser coordenador de uma comissão com responsabilidade, não pode ir além das “pistas” que já deu a entender que existem “fora da Igreja” e que não são da sua competência mas que alguns tribunos mediáticos com ligações políticas as deturparam…
Não posso negar que em Portugal o povo parece não querer saber da pedofilia..e as listas que se dispobilizaram nas esquadras de polícia com nomes dos pedófilos também não são consultadas por quem tem filhos…
Mas no nosso país rapidamente vamos do 8 ao 80 e o que é facto é que actualmente nem uma voz se levanta…Será que a pedofilia, além da Igreja, subitamente desapareceu em Portugal?
A única voz que se levantou no passado, além das crianças abusadas foi liminarmente censurada e apagada (Catalina Pestana)…Se não acredita pesquise no Google…com sorte os únicos textos que encontrará serão os que caluniam Catalina Pestana dizendo que esta pagou a crianças para denunciar políticos…
Curioso foi também analisar a politização que se fez das afirmações do Bispo da Igreja portuguesa com a rápida e pronta resposta de um secretário de estado do PS…como que a delimitar a pedofilia à Igreja…é um caminho perigoso esta opção do Governo…
Infelizmente a pedofilia não está delimitada à Igreja em Portugal….simplesmente falar de sectores que não têm o poder, actualmente é sempre mais fácil…e incomoda menos…porque Catalinas Pestanas há poucas…pena é que o povo não está para chatices neste país pequeno…onde todos precisamos de manter o emprego e onde há sempre alguém no poder muito apressado a responder com ataques que mais parecem defesas…mas como diz o Adriano…também há sempre alguém que diz não! Há sempre alguém que resiste!
Paulo Freitas do Amaral * Empresário * Historiador

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