Retorno fontal

O Religiolook dá as boas vindas ao diácono Anselmo José, do Brasil, artista plástico com uma vasta obra icnográfica.

Sem sombra de dúvida ainda colhemos os frutos do Concílio Vaticano II e os colheremos por muitos e muitos anos. O retorno fontal proposto por esse marco na Igreja Católica nos apresentou uma igreja mais humana, e mais genuína e definitivamente mais cristocêntrica. Mas isso não aconteceu só no jeito de ser igreja de 1965 até aqui. Isso também influenciou e influencia os artistas especializados em arte sacra até hoje.

A preocupação com tudo que é mistagógico, litúrgico e principalmente “Belo” (com letra maiúscula sim, pois quando falamos do Belo na liturgia, falamos do próprio Deus) vem tomando conta dos nossos templos e esse movimento só nos faz ganhar. “A beleza salvará o mundo”, profetizou Fiódor Dostoievski. Sei que a frase é deveras conhecida, mas eu acredito profundamente nisso. “A beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição metafísica da beleza. “Também nos diz São João Paulo II na sua “Carta aos artistas” de 1999.

Os artistas se distanciaram da igreja e da espiritualidade por um período de tempo, é fato. A preocupação com correntes artísticas e estéticas, filosofias nada cristãs e ideologias adentrou nossos templos e impregnou nossas paredes. Nós do ocidente nos perdemos, artisticamente e teologicamente falando. A arte já não expressa o belo e sim o individual. A Beleza deu lugar a aquilo que “eu acho belo”. Não mataram só Deus, parafraseando Nietzsche mataram também a beleza.

Mas assim como aquele nascer do sol que adentrou a tumba vazia há dois mil anos e revelou o Ressuscitado, uma corrente de artistas (Cláudio Pastro, Dom Ruberval, Padre Marko Ivan Rupnik… e tantos outros) que se inspiraram no oriente, na iconografia Bizantina, Russa e grega, que não mudou como a arte sacra do acidente, permaneceu com sua riqueza e seus valores… modernizando-se até certo ponto, mas não permitindo que a “Beleza” se deixasse desaparecer. Pertenço também a este movimento de retorno fontal. Beber nas fontes do período, pra mim, mais profícuo da arte sacra me deu novo sabor e uma ardorosa vontade de apresentar esta arte novamente ao mundo, renovada e revigorada. Arte cheia de símbolo, mistério, e amor incondicional a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sempre olho para traz e vejo o que a igreja já criou. Sempre há uma inspiração numa homilia, numa poesia, numa passagem bíblica, numa cena de filme, um belo momento de oração… o artista é acima de tudo um grande observador, tudo pode inspirar. Os meus desenhos representam a vida nova em Cristo Jesus. A partir de Cristo tudo se faz novo, céus e terras. Jesus Cristo renova tudo com seu amor apaixonado por nós, sua entrega total na cruz e a Boa Nova de sua Ressurreição!

Diácono Anselmo José

Artista Plástico

Maringá + Paraná + Brasil

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2 Comments

  1. Deus seja louvado, pelo dom que tens, pela disposição de colocá-lo a serviço dos irmãos! Tenho muito apreço pela iconografia bizantina! Tuas obras, tão bem planejadas, estudadas e que trazem tantos ensinamentos, Deus te abençoe e ilumine sempre, parabéns!!!

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