Comprovada autenticidade de pintura por Dalí em 1960 alusiva à visão da Santíssima Trindade tida pela Irmã Lúcia

A pintura foi descoberta em 2015, no sul de França, escondida por razões de “segurança” numa gaveta de um colecionador de arte privado. Assinada e datada de 1960 pelo artista surrealista espanhol Salvador Dalí, a obra logo suscitou ter uma ligação a Fátima, sendo conclusivamente comprovada em março deste ano e agora anunciado pela primeira vez, como sendo a visão da Santíssima Trindade inspirada na visão da Irmã Lúcia em 1929 em Tuy, Espanha.

A autenticidade do quadro foi confirmada pelo especialista de renome mundial em Salvador Dalí, Nicolas Descharnes que ao inspecionar o trabalho em Paris, suspeitou que se tratava da visão de Dalí da Santíssima Trindade. Descharnes contou com a ajuda de Carlos Evaristo, especialista em Fátima e iconografia religiosa sagrada e Presidente do Gabinete dos Patronos dos museus do Vaticano em Portugal, para interpretar a visão da Irmã Lúcia.

Em 1959, enquanto Dalí procurava encontrar a Fé, visitou o rei italiano exilado em Portugal, Umberto II. Durante esse período, aceitou uma encomenda do Exército Azul de Fátima, denominado “The Blue Army of Our Lady of Fatima, USA”, para criar a visão do Inferno em Fátima.

No ano seguinte, viajou a Fátima para se encontrar com a irmã Lúcia em Coimbra onde soube da sua visão em Tuy, em 1929. Pouco depois disso, sem o conhecimento de ninguém, Dalí realizou sua representação da Santíssima Trindade. Após a sua conclusão em 1960, o trabalho foi adquirido por um colecionador de arte francês, nunca tendo sido visto pelo público em geral. O trabalho ressurgiu em 2015, quando o proprietário faleceu, pelas mãos da sua viúva.

A obra inspirou um pequeno documentário que sairá em breve, com a investigação do cineasta italiano Emanuele Marafante e do galerista Jacob Harmer, que prova conclusivamente que a pintura é realmente a versão de Dalí da Santíssima Trindade, incorporando elementos das diferentes representações do conceito dogmático ao longo dos tempos e incluindo a visão de Fátima em Tuy como descrita pela Irmã Lucia.

Dalí pretendia que o trabalho fosse divulgado através de uma série litográfica de edição limitada para assim espalhar a mensagem cristã. O pintor espanhol pretendia que esta fosse a sua contribuição para a Fé.

Nicolas com o pai, Robert Descharnes

A pintura ainda não foi exibida publicamente. Será apresentada no futuro próximo, de modo a alcançar a intenção original do Mestre do Surrealismo em 1960.

Nicholas Descharnes

Nicolas Descharnes é atualmente a principal autoridade do mundo sobre o pintor Salvador Dalí. Fundador e administrador da biblioteca de fotos D&D e da empresa Eccart, trabalhou com Robert Descharnes, seu pai, na autenticação dos originais de Salvador Dalí.

O arquiteto francês é filho de Robert Descharnes, fotógrafo e confidente de longa data do pintor surrealista, bem como gestor de sua obra e herdeiro dos direitos de reprodução das suas imagens, fazendo dele a segunda geração da família Descharnes a policiar o legado de Dalí.

(pormenor) Salvador Dalí mostra a Robert Descharnes o espetáculo geológico meticulosamente pintado em suas obras (anos 50)

Robert Descharnes tornou-se, ao longo dos anos, um especialista reconhecido internacionalmente no mercado da arte pela sua experiência, demonstrada por várias obras publicadas, bem como pela presença na vida do artista ao longo de 40 anos que lhe permitiram desenvolver conhecimento do trabalho através do artista que se tornou seu amigo.

Robert Descharnes faleceu a 15 de fevereiro de 2014, mas desde 1980, Nicolas Descharnes ajudava o pai, na classificação dos arquivos acumulados do seu falecido amigo Salvador Dalí.

Através da sua experiência na organização de eventos dedicados ao pintor espanhol e à sua obra, Nicolas tem acumulou um conhecimento vasto que coloca ao serviço da memória de Salvador Dalí e um olho excecional para as suas pesquisas.

Confronto Robert Descharnes vs Salvador Dalí, Port Lligat, 1957

Uma investigação requer experiência e conhecimento da obra, mas também do próprio artista. Nicolas Descharnes passou anos em Cadaquès onde privou frequentemente com Salvador Dalí durante as sessões de trabalho e, para ele, uma imagem fala por si, faz parte da história do pintor.

Hoje é consultado regularmente por profissionais do mercado de arte, colecionadores e galerias como a Sotheby’s, Christie’s, Philipps, ou a Butterfield & Butterfield. Identifica e arquiva diferentes estilos de falsificações (Itália, EUA).

Inf. Carlos Evaristo

Perito em Relíquias Sagradas

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