Infelizmente o Papa tem razão. E quem perde somos nós!

O Papa Francisco mandou publicar esta sexta-feira um documento que limita drasticamente o acesso dos fiéis ao chamado rito antigo.

Infelizmente, compreendo perfeitamente porque é que o fez.

Antes de prosseguir, deixem-me dizer que embora eu não frequente com regularidade o rito antigo, já o fiz diversas vezes e fi-lo mesmo antes do Summorum Pontificum, mais do que uma vez. Conheço de perto várias pessoas para quem esta é a forma principal de missa.

Nada me choca no rito antigo e direi mesmo que uma das coisas que choca muitos, o facto de o padre estar virado para o altar durante grande parte da liturgia, eu gostava de ver aplicado ao rito novo também, pelo menos para algumas partes da celebração.

Não encontrarão aqui qualquer crítica ao rito que animou e alimentou os nossos avós e bisavós durante mais de um milénio.

Mas o rito não tem vida, é uma fórmula, um conjunto de instruções e rúbricas. No fundo, no fundo, quando não está a ser celebrado, o rito é um conjunto de palavras em folhas de papel. O problema não é o rito, portanto, é o que se faz com ele.

Tal como qualquer outro ritual, texto ou símbolo, a liturgia pode ser abusada e instrumentalizada. Acontece o mesmo com bandeiras. A bandeira dos confederados, nos EUA, não é apenas um pedaço de pano. Foi amada por muitos que morreram por ela e eram bons homens, mas hoje ganhou outro sentido, ao tornar-se o símbolo de saudosistas de sistemas racistas no sul dos Estados Unidos. A culpa não é de todos, mas de alguns. É fácil estragar um símbolo.

Infelizmente um certo sector de tradicionalistas radicais estragou o rito antigo. Estragou-o para todos nós que amamos a sua beleza, sem o transformar num instrumento ideológico. Porque é isso que os radicais de ideologias fazem. Estragam coisas.

O rito antigo foi liberalizado como um gesto de justiça para muitos e como um gesto de reconciliação para alguns que se encontram nas margens, ou mesmo fora da Igreja. O resultado, a nível global, não foi o desejável. As divisões acentuaram-se, muitos dos que estavam dentro ficaram cada vez mais fora e os que estavam fora não entraram.

Eu deixei de me sentir confortável nas celebrações do rito antigo quando me apercebi que se tinham tornado, em larga medida, locais de disseminação de ódio ao Papa Francisco e a muitos dos nossos bispos, onde se falava de uma igreja de iluminados e uma igreja de hereges ignorantes. Gosto de tradições e de solenidade, mas não o suficiente para me sujeitar a isso.

E foram estes que estragaram o rito antigo para o resto da Igreja. Vão fazer agora aquilo que fazem tão bem, vitimizar-se e lamentar-se de mais uma agressão por parte da Igreja Maçónica Globalista da Nova Ordem Mundial.

Pelo meio ficam – e escolho estas palavras com cuidado – vidas destroçadas, famílias divididas pela influência daquilo que se tornou em muitos casos uma verdadeira seita.

Não são todos, como é evidente. Alguns, talvez muitos, apenas lá iam por amor a uma tradição que não deixa de ser nossa só porque nascemos depois de ter sido reformada. São esses que ficam a perder. Neles me incluo. É pena.

 

In Blogue Atualidade Religiosa, por Filipe d’Avillez

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1 Comment

  1. O Senhor Filipe d’Avillez devia informar-se sobre o Papa mais conhecido como “Chico da Pampas”, pois efectivamente este é Maçon e os rituais pagãos que fez no Vaticano foram disso prova. Penso que os Portugueses quando souberem a verdade (que vai sair em breve) vão ficar chocados e atordoados. Estas próximos tempos de fome e racionamento de combustíveis talvez ajudem a abrir os olhos a muita gente, assim como a verdade sobre o veneno a que chamam vacinas.

    Que Deus Nosso Senhor tenha piedade de Portugal e que a nossa Rainha Imaculada Conceição nos proteja

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