Catequistas mártires de Moçambique em processo de beatificação

Os autos originais, em duas cópias autênticas, do inquérito diocesano sobre a vida e a fama de martírio dos Servos de Deus, Luísa Mafu e Companheiros Catequistas, mártires de Guiúa, em Moçambique, foram abertos no dia 16 de Setembro em Roma, na congregação das Causas dos Santos. Na presença do novo postulador da causa, Padre Giacomo Mazzotti, Missionário da Consolata, substituto do anterior postulador, Padre Diamantino Antunes, nomeado recentemente bispo de Tete, o oficial da Congregação da Causa dos Santos, Mons. Giacomo Pappalardo, abriu as caixas contendo os documentos enviados de Moçambique para a verificação da parte jurídica e técnica do processo diocesano instruído na diocese de Inhambane.

Tais documentos foram enviados para o Vaticano depois da conclusão da fase diocesana do processo de beatificação que teve lugar no Centro Catequético do Guiúa no dia 23 de Março.

As quatro caixas grandes continham duas cópias autênticas dos autos originais do Inquérito Diocesano.  Os referidos autos originais, chamados “arquétipo” estão conservados, em caixa lacrada, na Cúria Diocesana de Inhambane.

A 1ª cópia autêntica, extraída diretamente do “arquétipo”, chamada por isso, “transunto” ou “transposição”, foi endereçada e entregue ao Prefeito da Congregação das Causas dos Santos.

A 2ª cópia autêntica, extraída do “transunto”, porque nela há o carimbo: “Confere com original”, chama-se “Cópia Pública”, porque é destinada aos oficiais da Congregação para os devidos estudos da documentação ali oferecida.

As duas caixas, a do “transunto” e a da “Cópia Pública” continham, cada uma, as 1.950 páginas do Inquérito.

As caixas com as cópias dos autos do Inquérito diocesano foram entregues e protocoladas na Congregação das Causas dos Santos.

Ontem, dia 16 de Setembro, procedeu-se à abertura oficial das caixas, iniciando assim os trâmites para o estudo da documentação oferecida pelo Inquérito diocesano. Será nomeado um relator que redigirá a “Positio super martyrio” onde devem ser ilustrados e demonstrados o elemento formal e aquele material do martírio e é exposto o perfil da vida dos Servos de Deus”.

Ponto central e essencial da “Positio” será portanto a demonstração, mediante um aparato probatório tirado do exame-interrogatório dos testemunhos e da documentação, do martírio material, isto é de todo o conjunto dos eventos que levaram á morte violenta dos catequistas e seus familiares em 22 de Março de 1992, e do martírio formal, isto é da intenção da parte dos perseguidores de provocar a morte por motivo da fé em Cristo, e da intenção nos catequistas mártires de aceitá-la voluntariamente por fé ou por ato de virtude referido a Deus e à fé.

Deste modo, se for provado o martírio, os Servos de Deus Luísa Mafu e Companheiros serão declarados beatos pelo Santo Padre e serão os primeiros beatos mártires de Moçambique.

Deixe uma resposta

*