A paixão do missionário é o evangelho

Estamos às portas de mais um mês missionário, o mês de Outubro. Mesmo que toda a Igreja seja missionária e ainda que todo o cristão é discípulo missionário, a Igreja propõe a todos que este mês seja vivido de forma especial. É por isso que em muitas paróquias, grupos e movimentos se multiplicam as iniciativas litúrgicas, religiosas, sociais, de empenho e compromisso missionário.

Para mim, que sou missionário, membro de uma congregação religiosa e missionária, este mês faz-me voltar à origem da vocação à qual o Senhor me chamou e ao centro da missão hoje. O que me move? O que me anima? Onde esta o tesouro do meu coração? Em que repousa o meu coração? Qual a minha paixão?

 

Se a missão “é uma paixão por Jesus Cristo e uma paixão pelas pessoas” (Papa Francisco), então a paixão do missionário é o Evangelho. Só pode ser! É tão evidente, que só pode ser afirmada assim, sem mais nem menos. Porque sim! É que o Evangelho é fonte de alegria, liberdade e salvação para todos. Por isso a nossa missão é colocar a todos, sem excluir ninguém, em relação pessoal com Cristo.

É evidente, mas ao mesmo tempo desconcertante. É que, a maior parte dos cristãos confunde missão com ajuda caritativa ou solidária. O essencial do missionário, ou de cada cristão, é Jesus Cristo, é o anúncio, testemunho e partilha da sua pessoa nas nossas vidas. A missão não pode resumir-se à simples ajuda, caritativa ou solidária, seja ela material ou espiritual, ou as duas coisas. A Igreja não pode ser uma ONG e o missionário um trabalhador dessa ONG.  A Missão toca o mais profundo e sagrado da pessoa humana, a sua vida em plenitude. Daí a urgência de repropor o ideal da missão com o seu centro em Jesus Cristo e a sua exigência na doação total de si mesmo ao anúncio do Evangelho. A nossa Missão é Jesus Cristo. Voluntariado, ajuda, qualquer pessoa pode fazer, mesmo os não cristãos, mas anunciar Jesus Cristo é restrito aos discípulos de Jesus que o vivem nas suas vidas.

Sendo assim, todo e qualquer cristão só pode ser missionário; a missão faz parte da “gramática de fé” (Papa Francisco) e, portanto, quem segue Cristo não pode deixar de ser missionário.

 

Termino fazendo referência a duas pedras basilares da evangelização hoje:

A primeira é a certeza de que o anúncio do Evangelho, antes de ser uma necessidade para quantos não o conhecem, é uma carência para quem ama o Mestre. Ai de mim se não evangelizar, diz S. Paulo! Independentemente de haver ou não, interlocutores que nunca ouviram falar de Jesus, o discípulo de Jesus necessita de o testemunhar, de anunciar justamente aquele em quem acredita, Jesus Cristo.

A segunda é a necessidade, no serviço da Missão, da presença dos leigos, que desejam partilhar a vocação missionária inscrita no baptismo.

Para isso nós, consagrados, somos convidados a abrir as portas das nossas casas e dos nossos carismas a todos aqueles e aquelas que desejam colaborar connosco, religiosos missionários, na obra da evangelização.

Continuamos, corajosamente, a percorrer os caminhos da missão de Jesus ressuscitado.

 

Leonel Claro * Missionário Comboniano em SARH, no Chade

 

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