Um Santo por quinzena: Beato Pier Giorgio Frassati

Pedro Jorge (Pier Giorgio) Frassati nasceu em Turim no dia 6 de abril de 1901 (Sábado Santo), de uma família rica: a mãe era pintora; o pai fundou o jornal “La Stampa”, foi o mais jovem senador do Reino e tornou-se embaixador da Itália em Berlim.

Pedro Jorge absorveu a vida cristã mergulhando por escolha pessoal na água viva que a Igreja daquele tempo lhe oferecia, assumindo responsabilidades nas associações nas quais se inscrevia, muitas vezes contra a vontade dos familiares.

“Você é um ‘beato?’, perguntou-lhe alguém na universidade. “Não”, respondeu com bondade mas com firmeza: “Não, sou ‘cristão’! Em 1919, sendo ainda muito jovem, Pedro Jorge inscreveu-se na Conferência de São Vicente de Paulo.

Os seus estudos eram iluminados de fé e caridade, devido à sua condição social. Escolheu engenharia de minérios, porque quando viveu na Alemanha reparou nas graves condições de trabalho dos mineiros: “Quero ajudar o povo nas minas e posso fazer melhor mesmo não sendo sacerdote, pois os padres não estão muito perto dos problemas do povo”.

Em casa, Pedro Jorge era tido como um tolo e sempre com pouco dinheiro porque, para ajudar os outros, devia dar não o supérfluo, mas o necessário. Procurava convencer os outros a fazer o mesmo. Diz um amigo: “Um dia procurou convencer-me a entrar na Conferência Vicentina, mas a minha dificuldade era entrar nas casas dos pobres, pois poderia vir a ter algumas doenças… Ele, com muita simplicidade, respondeu-me que visitar os pobres era visitar Jesus”.

No dia 30 de junho de 1925, Pedro Jorge começou a sentir enxaqueca e inapetência. Ninguém lhe deu a devida atenção porque a sua avó estava a viver os seus últimos dias (com cerca de noventa anos), e aquele rapagão alto e vigoroso, em quem pouco se reparava, pois era bom demais, com as suas “febrezinhas” não deveria ser nada de outro mundo. Na verdade, ele era alpinista e parecia esbanjar saúde. Mas, infelizmente, Pedro Jorge Giorgio estava começando a morrer, sentindo o seu jovem corpo destruir-se com a paralisia que avançava progressiva e implacavelmente, sem que ninguém lhe desse atenção. Quando os pais, apavorados, afinal compreenderam o que lhe estava a acontecer já era tarde. A vacina que veio rapidamente do Instituto Pasteur de Paris já não tinha efeito devido ao avanço da doença.

No último dia de sua vida, Pedro Jorge pediu à irmã Luciana para buscar na escrivaninha uma caixinha de injeções que não tinha conseguido entregar a um dos seus pobres e quis escrever um bilhete com as instruções e o endereço: “Quis escrevê-lo com as suas próprias mãos já atormentadas pela paralisia e saiu um emaranhado de letras quase incompreensível. É o seu testamento: as últimas energias para a última caridade”.

O funeral foi um acorrer de amigos e principalmente de pobres. Seus familiares foram os primeiros a ficar assombrados vendo-o tão querido e tão conhecido. Pela primeira vez compreendiam onde Pedro Jorge viveu verdadeiramente nos seus poucos anos de vida, apesar de ter tido uma casa confortável e rica à qual chegava sempre atrasado.

O Papa S. João Paulo II chamou a Pedro Jorge o “Homem das Bem-aventuranças” e beatificou-o em 1990.

Que este jovem santo dos nossos dias interceda por nós!

 

José Victor Adragão * Professor de Filologia Românica

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