Religiosamente (In)correcto: As nossas crianças…

As crianças são as flores mais belas deste jardim de São Tomé e Príncipe. Se São Tomé já é um belo jardim, as crianças completam a beleza deste país.

Não é por acaso que existe ainda uma forte percentagem de natalidade. Uma média de quatro filhos por família. Claro está que, acontece, e muito, mulheres que têm filhos de vários parceiros. O que por si, aumenta esse número.

Aos olhos dos europeus que andam míopes de nascimentos, dizem logo que é falta de planeamento ou falta de utilização de métodos contraceptivos. Já agora deixem-me dizer que não gosto nada desta palavra contraceptivos! E porquê? Porque a concepção é dos mistérios mais belos que Deus nos deixou como factor de procriação e multiplicação da espécie humana.

Voltemos às crianças. Aqui abundam e deambulam por todos os cantos. Em qualquer esquina nos cruzamos com crianças de todas as idades. Em Portugal para ver uma criança parece que precisamos de fazer um requerimento!

Com este número elevado de crianças, o desafio de ter escola para todos é enorme. Existe uma população escolar que não consegue ser absorvida nas imensas escolas. Daí não estranharmos que, em São Tomé e Príncipe, construir escolas é um desiderato do Governo. E em Portugal, fechar escolas é a coisa mais normal. É estranho não é?!

Costumamos dizer que é no meio que está a virtude. Ou de outra forma, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Uma coisa é certa, uma sociedade que tem mais idosos que crianças, é uma sociedade envelhecida e com poucas esperanças de futuro. Uma sociedade egoísta e fechada porque parece que, hoje, para ter um filho é preciso pedir licença! E pior de tudo, é haver casais que, por princípio, negam ter filhos. Que aberração!

Sou imensamente feliz no meio da criançada de São Tomé e Príncipe. De as ver na escola. Nas ruas. Por todo o lado. E claro está, delicio-me com o Olá de criança. Não há criança nenhuma que passe na rua e não diga um Olá com um sorriso nos lábios. Que delícia!

No nosso rectângulo á beira mar plantado, as crianças já não passam cartão a ninguém. Casa, Escola e uma imensidão de ofertas de ocupação dos tempos livres que pouco tempo resta para ser criança. E claro está, para complicar a coisa, qualquer fedelho tem um telemóvel! Assim anda o nosso triste Portugal.

Vivam as crianças de São Tomé e Príncipe!

P. Nuno Miguel Rodrigues

Missionário em São Tomé e Príncipe

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