Lei anti-homofóbica divide cristãos italianos

“É desesperadamente necessária” é que dizem grande parte dos cristãos e cristãs italianos, sobre a Lei Anti-Homofóbica, que, também, recebeu críticas dos setores do Vaticano e uma parte da comunidade católica-romana, referindo que só irá causar muitos mais problemas. Segundo o jornal Crux digital, de 19/7/2021, [Catholics divided as draft anti-homophobia law nears final showdown (cruxnow.com)], Vitorino Bellavite, duma organização católica muito próxima dos LGBTQ+, refere que a lei é “desesperadamente necessária” dadas as intervenções violentas de que têm sido vítimas os homossexuais, por não existir qualquer legislação que vise defendê-los, que por motivo da sua orientação sexual são vítimas da violência e hostilidade sexual. Não existe em Itália nenhuma legislação que proíba a discriminação especificamente tratando-se na base da orientação sexual, e é, por isso, necessária uma lei que assegure que os direitos humanos, no referente, aos homossexuais são defendidos. Por outro lado, as organizações da direita da igreja não veem necessidade dessa lei, porque, segundo afirmam, a lei geral que defende o ser humano, já se aplica a todos os cidadãos, independentemente da religião, grupo étnico ou sexo, e isso garantirá a defesa de todos de forma abrangente. Dão o exemplo das pessoas obesas e de mobilidade condicionada que só aparecem no primeiro artigo do projeto Lei, e isso é uma discriminação.

Por seu lado, as organizações de esquerda que defendem a lei, em homenagem, a Alessandro Zan, o primeiro político italiano a assumir-se como gay, defendem a lei anti-homofófica, dado os constantes ataques físicos e verbais que os LGBTQ+ são vítimas; se é verdade que os direitos humanos defendem quaisquer pessoas de perseguições e ataques, também o é que as leis existentes não são eficazes para criminalizar quem, obstinadamente, ofende a harmonia e a paz entre pessoas de diferentes orientações sexuais. Se “são mais livres, estão convencidos de que são mais aceites”, disse Bellavite.

As leis fazem-se quando são necessários defender aqueles e aquelas que mais ostracizados são. A declaração universal dos direitos humanos, existe, porque há ineficácia em cumprir todos os direitos humanos, se não, não servia para nada. Se existisse liberdade a fraternidade em reconhecer que todo o género humano é irrepetível e único, estaríamos a viver na fraternidade inserta na “Fratelli Tutti”, todos juntos e reconhecendo a opção de cada homem e cada mulher, e a sua vivência na Criação que Deus nos deu para cuidar.

Por isso, penso que a direita conservadora e o Vaticano, no que diz respeito à lei anti-homofóbica não terão razão, digo-o com humildade, mas com frontalidade. É necessário proteger aqueles e aquelas que são denegridos, pelas opções pacíficas que tomam para as suas vidas, desde que reine o Amor e a Fraternidade. Será um erro não proteger as opções sexuais de cada pessoa, só porque o seu Amor é doado de outra forma que não a convencional.

E, já agora, seria necessário mudar a Declaração Universal dos Direitos do Homem, para Declaração Universal dos Direitos Humanos, se não fosse para colocar a mulher no seu devido lugar? É o mesmo, são necessárias leis para haver respeito por cada homem, cada mulher, pela Criação, pelas suas opções de sexualidade, garantindo que Deus é misericordioso e amoroso para todos e todas que seguem as suas consciências, e dão ao mundo exemplos de Amor há milhares de anos, de que este Amor não é usufruto de uma opção sexual única.

 

Joaquim Armindo

Doutorando em Teologia

Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

 

 

 

Fotografia: Pessoas marcham pelo Coliseu durante a parada do Orgulho Gay em Roma, sábado, junho 11, 2016. (Credit: AP Photo/Fabio Frustaci.)

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