As pessoas são únicas e irrepetíveis

Qualquer pessoa é única e irrepetível, seja no que for na vida, mesmo ao nível da sexualidade. Não é por acaso que o rei Salomão tinha 1 000 concubinas, uma das quais deu origem ao belo livro bíblico Cântico dos Cânticos, ela tinha o seu amado e não queria estar na corte do rei, preferia estar no campo com a pessoa que amava, é isso que se canta no livro referido. Uma bela lição do que é o amor. Isto tudo para referir a liberdade de qualquer pessoa escolher quem ama, quem sente no seu coração, qual é a pessoa com quem quer viver a sua vida, para bem da vida dos outros, de quem escolhe o seu companheiro ou companheira para viver a sua sexualidade e o seu amor. Há muitos que não necessitam de casar, de viver em comum com…, pois bem têm essa liberdade. Existiram séculos em que não era permitido, não era um direito a escolha da sua vida, estávamos mal, por que não só era assim, mas bem escondidinho e até os que optavam por si ou obrigados a ficar solteiros, tinham os “seus casos”, camuflados, ou camuflados – visíveis, ou seja, toda a gente sabia, e ninguém sabia. Passou-se, e certamente se passa, até com aqueles que prometiam não ter sexualidade, eram assexuados – sexuados.

E porque nenhuma pessoa deixa de ser única e irrepetível, e à vista de todo o mundo, temos os vários tipos de relação conjugal. Existem os ditos “normais”, mulher com homem, mas depois existem os outros tipos mulher-mulher, homem-homem, pessoas que nascem com os dois sexos e têm de escolher um, diria, existem os homossexuais, as lésbicas, os transsexuais, os quars e outros, e até aqueles que por opção não querem relação sexual nenhuma. Optam por ficar solteiros, também há aqueles que são solteiros porque disseram à sociedade que assim seriam, e afinal possuem pares iguais ou diferentes.

Cada pessoa é única e irrepetível e nasce geneticamente sexualizada, não é uma doença, mas um nascimento direcionado para uma determinada sexualidade. Não deixa de ser cristão e de ter a bênção de Jesus, deve ser acarinhada como outra pessoa qualquer, mais, no momento em que determinadas correntes da igreja os querem expulsar, devem ser mais acarinhadas, o que significa uma discriminação positiva; nada há de mais cristão!

Escrevo assim à “luz do Sol”, para que se fique a saber que existem cristãos e cristãs, que não concordam com alguns bispos e presbíteros, eles próprios “assexuados”, pelo menos que se saiba!

Todos e todas somos uma família, no passado e no presente, por isso, nem sequer teremos de aceitar, porque cada pessoa é única e irrepetível. E todas e todos que possuem uma sexualidade, dita, por alguns, como marginal, nunca se esqueçam que as ações de Jesus foram consideradas marginais, pelos muitos feitos que fez, enquanto Salvador nosso, e não deixa de ser o nosso Jesus, unido ao Pai e ao Espírito Santo. Para que conste, e como costumo informar sou casado, pai de dois filhos e avô de um neto.

 

Joaquim Armindo

Pós-Doutorando em Teologia

Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

Diácono – Porto

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