A homossexualidade em Levítico

Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é; […] Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. (Levítico 18:22; 20:13)

Na lista de pecados de Levítico 18 e 20, o homossexualismo é o único pecado descrito como “abominação” e o texto do capítulo 20 refere especificamente os actos homossexuais masculinos “Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação”.

Na Escritura, “abominação” é um acto que contamina a terra e que suscita a ira de Deus a ponto de Ele visitar a iniquidade deles e fazer a terra vomitá-los. Em Génesis 19:24-25 lemos que o Senhor fez chover enxofre e fogo, desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra; e destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra.» Ao contrário do que alguns teólogos liberais dizem, a destruição de Sodoma e Gomorra não se deveu à falta de hospitalidade, mas sim ao facto dos seus habitantes se terem  «entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne», por isso, «foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.» (Judas 1:7)

Convém lembrar que os outros pecados sexuais descritos em Levítico também eram considerados abominações.

Não faltam esforços para interpretar a lei a contento do movimento LGBTQIA+.

Assim, Levítico 18.22 tem sido interpretado à luz de passagens que distinguem virgens que não “se [tinham] deitado com homem” de não-virgens que o tinham feito (Juízes 21:12), levando alguns a afirmar que o acto proibido, em Levítico 18:22, é o de ser parceiro activo num acto homossexual com penetração e outros a sugerir que o abominável é o sujeito passivo. Essa leitura é absurda, pois o acto homossexual pressupõe dois parceiros: um activo e outro passivo. Sem isso não existe relação homossexual. E, para essa explicação fazer algum sentido é preciso ignorar Levítico 20:13 quando diz: «ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.» (Levítico 20:13)

Outros têm tentado uma abordagem mais ampla. John Boswell, por ex., reivindicou que a proibição da sodomia era uma proibição cerimonial, não moral. O preceito, argumentou Boswell:

“… não significa, ordinariamente, algo intrinsecamente mau, como violação ou roubo…, mas algo que é ritualmente impuro para os judeus, como comer porco ou fazer sexo durante a menstruação, duas coisas que são proibidas nesses capítulos. Ele é usado por todo o Antigo Testamento para designar aqueles pecados judaicos que envolvem contaminação étnica ou idolatria […] embora ambos os capítulos também contenham proibições (p. ex., incesto e adultério) que possam parecer derivar de absolutos morais, a sua função no contexto de Levítico 18 e 20 parece ser símbolos do carácter distintivo dos judeus. Actos homossexuais eram proibidos por razões rituais para indicar a identidade judaica. Essas razões não se aplicam fora de Israel e, especialmente, nem a cristãos.”[1]

 

Distinguir entre lei moral e lei cerimonial é atribuir algo a uma época em que isso não tinha razão de ser.

Questões de pureza e de moral estão inseparavelmente misturadas em Levítico. O versículo 13 do capítulo 20 é relevante para entendermos isto: uma penalidade “civil” é imposta a actos homossexuais; embora a lei tenha aspectos “cerimoniais”, a proibição também era parte da ordem pública de Israel.

Como Jonathan Klawans mostrou, pecados sexuais poluem a terra.[2] Ele usa a categoria de “impureza moral” para captar a complexidade do ensino da Torá sobre impureza e contaminação. Ele deixa claro que a proibição da sodomia está ao mesmo nível da proibição da idolatria. Ambas poluem a terra, e são, portanto, cerimoniais; ambas são também absolutos morais.

Isso significa que é impossível rotular a proibição de actos homossexuais como “cerimoniais” a fim de os tornar aceitáveis. O mais correcto é dizer que a toda a Torá assume que o Senhor está presente no meio de Israel, no santuário e, porque Deus vive na Sua habitação santa em Israel, Israel é chamado à santidade tanto no santuário como na terra, no culto e na vida como um todo.

Portanto, tal como Israel, no Antigo Testamento, a igreja é uma comunidade composta por santos nos quais habita o Espírito Santo. Pecado sexual impenitente e idolatria, são profanações morais da habitação do Senhor.

Mas, há esperança para todos aquele que crê em Cristo e se arrepende:

«Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.» (1 Coríntios 6:9-11)

 

 

[1] Christianity, Social Tolerance, and Homosexuality, p. 100-101

[2] Impurity na Sin in Ancient Israel

 

 

Maria Helena Costa * Escritora * Cristã evangélica

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