Rei de um mundo diferente

1.Conclui neste domingo 21 de Novembro o ano litúrgico com a solenidade de Cristo Rei. Será Nosso Senhor Jesus Cristo um verdadeiro rei? É a pergunta que Pilatos lhe faz no julgamento, como narra o evangelho deste domingo (Jo 18,33-37). Para este Procurador Romano, ser rei era possuir poder, glória, majestade, grandeza humana e social. Ao enfrentar Jesus, manietado, humilhado, dependente da sua sentença para viver ou para morrer, era provável que achasse ridícula a sua pretensão de ser “Rei dos Judeus”. Mas Jesus afirmou serenamente. “É como dizes, sou rei mas o meu reino não é deste mundo ..É o reino da verdade… Todo aquele que é da verdade, escuta a minha voz”. Confrontam-se aqui duas maneiras de entender a realeza: a) à maneira dos impérios deste mundo, assentes no poder e na força, envolvidos pela grandeza. e pela majestade; b) à maneira de Deus. pelo serviço humilde, pela misericórdia, pela entrega da vida ao amor de Deus e dos outros.
2. A primeira e a segunda leitura, respetivamente do Profeta Daniel e do Apocalipse, ajudam-nos a reconhecer e a seguir o estilo da realeza de Jesus. Daniel fala de um personagem misterioso a quem dá o nome de “Filho do Homem”. Jesus identifica-se com esta personagem e designa-se a si mesmo com esta expressão. Revela, realmente, a sua condição humana e divina. Enquanto “Filho do Homem”, tem origem e figura humana, nasce de uma ascendência terrena (é descendente de David. Rei de referência para Israel). Mas vem das nuvens do céu, ou seja, vem de Deus para dominar as forças destruidoras deste mundo. O Apocalipse confirma, por outras imagens, a mensagem de Daniel. O Filho do homem é o “Alfa”, o início de uma nova humanidade onde habita a paz, a fraternidade e a dignidade de todas as criaturas.
3. O reino de Deus é como um fermento que invisivelmente transforma a massa em que é colocado. Os sinais visíveis que indicam a sua presença são os que proclamamos no prefácio da missa de Cristo Rei: “reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz”. Aceitar Jesus como nosso Rei, é continuar a mesma missão de ser fermento de verdade num ambiente de aparências; de fraternidade e serviço aos humildes onde o egoísmo parece dominar; de amor e misericórdia onde a indiferença está presente. A mensagem do reino anunciado e semeado por Jesus corresponde realmente aos anseios mais profundos do coração humano. Testemunhar o evangelho é manifestá-los realizados na vida pessoal e na missão da Igreja. São estes frutos que dão credibilidade à proposta da fé cristã e podem suscitar adesão ao reino de Deus. São indícios de um mundo diferente, dos novos céus e da nova humanidade onde habita a justiça e a paz. É o sonho de todos nós, mas Jesus espera e pede que colaboremos para que este sonho se torne realidade. Como podemos colaborar? Na vida pessoal servindo de modo humilde, exercendo a misericórdia, semeando a paz, a fraternidade e a alegria à nossa volta. Na missão da Igreja não se deixando cair na tentação do poder e da riqueza como os reinos deste mundo. Invoquemos, pois, quotidianamente ““Venha a nós o Vosso Reino” e façamos a nossa parte colaborando na sua vinda.
D. Manuel Pelino * Bispo emérito de Santarém

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