Progredir no caminho do bem

1.No evangelho (Mc 10, 17-27) deste 28º domingo Jesus responde a duas questões fundamentais: a). como alcançar uma vida plenamente realizada (vida eterna)?; b) como crescer na perfeição?. Narra São Marcos que Jesus ia pôr-se a caminho quando chegou um homem a correr, ajoelhou-se diante dele e perguntou: ”Bom Mestre que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?”. A pressa deste personagem dá a entender a importância que colocava na pergunta. Preocupar-se com a vida eterna é desejar uma vida que tenha sentido, que conduza à sua verdadeira meta, a salvação. De contrário, seria uma vida inútil, fracassada. O facto deste homem chamar a Jesus “Bom Mestre” parece reconhecer n´Ele a presença de Deus de bondade. O diálogo mostra que é um crente cumpridor, inquieto, preocupado em melhorar, em progredir no bom caminho: “Que hei-de fazer?” pergunta ele A resposta de Jesus foi simples: “cumpre os mandamentos”.
Afinal ele conhecia e seguia os mandamentos desde a juventude. Então Jesus olhou-o com simpatia e propôs-lhe um passo mais. São Mateus, narrando o mesmo caso, acrescenta que se tratava de um jovem e que Jesus o desafiou dizendo: ”se queres ser perfeito…”. Lança-lhe, nesse sentido, uma proposta radical: deixar os bens, a casa, a família, o trabalho e seguir o mesmo caminho de Jesus, como haviam feito os discípulos que O rodeavam. Deixar tudo em troca de quê? De cem vezes mais nesta vida e de um tesouro na vida eterna, esclarece Jesus. A quem tudo deixar para O seguir, Jesus promete que terá como família uma comunidade com muitos irmãos e irmãs e bens espirituais em abundância. Perante esta proposta, o jovem retirou-se “triste” porque tinha muitos bens (e estava apegado a eles). Não teve coragem para seguir o caminho do desprendimento, da liberdade e da alegria do evangelho.
2. Desde as origens, o cristianismo é designado como o “Caminho de Jesus”. Realmente, Jesus apresentou-se como o caminho que leva à verdade e à vida, ou seja, guia-nos para uma vida plena, bela, fecunda. Já no Antigo Testamento, os Mandamentos eram apresentados como um caminho, uma forma de orientar a vida e não tanto um código moral feito de obrigações e proibições. Jesus veio aperfeiçoar os Mandamentos e propôs um caminho novo, de maior perfeição, resumido nas oito Bem Aventuranças. É esta direção que aponta ao jovem do evangelho que já cumpria os Mandamentos.
3. Este texto evangélico chama a nossa atenção para a importância de definirmos um sentido e uma orientação para a vida. Que procuramos? Que objetivos e projetos temos em vista? Na realidade muitas pessoas correm apressadamente para um lado e para outro à procura de prazeres e divertimentos imediatos sem prestar atenção ao rumo que levam. Escutemos a advertência do salmo deste domingo: “Ensinai-nos a contar os nossos dias para chegarmos à sabedoria do coração”. Realmente os anos correm rápidos e, se não semearmos o bem, chegamos ao fim de mãos vazias. A vida terrena é breve e não temos outra. Imploremos a sabedoria, como recomenda a primeira leitura, e encontraremos um rumo seguro para alcançar a vida em plenitude.
D. Manuel Pelino * Bispo emérito de Santarém

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