O Bom Pastor conduz-nos à liberdade

1.“Descansai um pouco”, é o convite que Jesus faz aos discípulos após terem feito uma experiência missionária, em que nem tempo tinham de comer. As pessoas precisavam mesmo de pastores que cuidassem delas, as guiassem por caminhos seguros e respondessem aos seus problemas. Em resumo, que concretizassem a promessa de Deus expressa no Salmo da missa: “O Senhor é meu pastor nada me falta. Leva-me a descansar (…), reconforta a minha alma” (Sl 23, 22). Muito antes de Jesus, o profeta Jeremias (sec. VII a.c.), faz idêntica constatação. Face aos pastores do povo de Israel daquele tempo (reis e chefes religiosos) que, em vez de cuidar do bem do povo, tratavam dos seus próprios interesses, este profeta em nome do Senhor promete que o próprio Deus virá pessoalmente cuidar das suas ovelhas, curá-las, congregá-las e orientá-las. Como é possível o Deus invisível, transcendente, acompanhar pessoalmente pelos caminhos da vida? Jeremias abre um pouco o véu ao anunciar um “descendente de David que, com justiça e retidão, será o verdadeiro rei (pastor) de sabedoria e paz”. É uma promessa que aponta para a vinda do Messias que Jesus Cristo, da linhagem de David, o Bom Pastor, veio realizar. No evangelho deste domingo (Mc 6, 30-34), Jesus revela, realmente, o coração de um bom pastor. Ao retirar-se de barco, com os discípulos, para descansarem num lugar isolado, as pessoas perceberam para onde iam e quando lá chegou, já estavam à Sua espera. Jesus não as evitou mas compadeceu-se, renunciou ao programado descanso e dedicou-se a ensinar aquela gente. Observa o evangelho que “eram como ovelhas sem pastor” e Jesus realiza o papel de Bom Pastor que sabe escutar e falar ao coração.
2. Também nós hoje, apesar de nos julgarmos muito esclarecidos, livres e autónomos, precisamos de quem cuide de nós e se dedique a dar-nos atenção e apoio, nos procure quando nos perdemos, nos levante quando caímos, nos carregue quando nos faltam as forças e o ânimo. Precisamos de um Bom Pastor, capaz de nos acompanhar com segurança nos vales tenebrosos da vida, que mereça a nossa confiança e nos revista de bondade e de graça (cf Salmo 23 (22). Um pastor que saiba e cuide do que é melhor para nós e nos conduza ao verdadeiro descanso que permite revigorar as forças, contemplar o mundo, saborear a vida e prestar mais atenção aos que nos rodeiam. Que se inspire no descanso de Deus que, no sétimo dia da criação, ao contemplar a obra feita, viu que era boa, abençoou e santificou o sétimo dia (o descanso e contemplação da criação) (Gn, 1, 31 e 2, 2-3). É a esse descanso regenerador que o Bom Pastor nos conduz.
3. O atual ambiente de autossuficiência gera a ilusão de que cada sabe tudo e tudo decide por si mesmo. É a tentação da liberdade sem conteúdo e sem direção que conduz ao vazio. Quem assim procede, acaba, frequentemente, por se tornar dependente “do império da moda”, da publicidade, das estatísticas, do “parece bem”. A verdadeira liberdade é a que Cristo nos ensina, pois Ele é o caminho para a Verdade e para a Vida e só a Verdade nos torna livres, como Ele prometeu. “Ilumina-nos Senhor com o Teu Espírito para escutarmos e seguirmos a beleza sempre nova da Tua Palavra e irradiarmos à nossa volta a Tua Luz”.

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

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