Jesus batiza-nos no Espírito Santo e em fogo”

1.A concluir as festas natalícias celebramos o Batismo de Jesus É um acontecimento ligado ao Natal e à Epifania do Senhor, pois dá continuação e realização ao Seu nascimento. De facto, nasceu desconhecido num presépio de Belém, mas veio para ser luz das nações e realizar a promessa de Deus de enviar o Seu servo eleito, ungido pelo Espírito Santo para inaugurar a Nova Aliança. Como narra o evangelho de São Lucas (Lc 3, 15-16; 21-22), no momento do Batismo, enquanto Jesus rezava, “os céus abriram-se e o Espírito Santo, em forma de pomba, desceu sobre Ele e veio uma voz do céu: Tu és o meu filho muito amado em quem ponho o meu enlevo”. Os céus que se abrem e o Espírito que desce são sinais de uma comunicação direta entre Deus e a humanidade, realizada por Jesus. A voz do céu que apresenta Jesus, manifesta a Sua condição de Servo e Filho de Deus, enviado para dar cumprimento às promessas do Antigo Testamento. Constitui, portanto, um momento da Epifania ou Revelação do Seu mistério.
2. O Batismo de Jesus ajuda-nos a compreender o mistério do nosso batismo. Somos batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. É um novo nascimento pela água e pelo Espírito que faz de nós Filhos de Deus, irmãos de Jesus, habitados pelo Espírito Divino. Sempre que nos benzemos, recordamos esta condição de Filhos e herdeiros do mesmo Pai que do alto dos céus olha por todas as criaturas e nos chama a todos os batizados a ser fermento de fraternidade, cuidadores uns dos outros e da criação e construtores da paz. O batismo liga-nos também a Jesus Cristo como os ramos da videira estão unidos à cepa, segundo Ele ensinou. Enquanto Filho Unigénito do Pai, Jesus faz de todos os batizados uma grande família de irmãos, fermento de unidade e construtores da paz no mundo. Torna-nos, também, herdeiros das abundantes bênçãos que nos alcançou. O batismo derrama ainda em nossos corações o Espírito Santo que se torna fonte de consolação, de luz interior e de fortaleza nas provações. É como o fogo que aquece e como o vento que nos impele a fazer o bem. Desta maneira Integra-nos, assim na grande família cristã que chamamos Igreja, comunhão dos santos, dispersa por toda terra mas unida pela mesma fé, esperança e caridade. Nela temos acesso aos mesmos dons e participamos do mesmo património e da mesma missão.
3. Para que a riqueza do batismo desabroche e dê frutos na vida dos crentes, precisa de uma base, de um terreno preparado e cultivado para dar fruto. A base é a fé, despertada pelo anúncio da boa nova. Os sacramentos são celebração da fé. Sem esta base tornam-se ritos sociais. Assim dispôs Jesus: “Ide anunciai a boa nova… Quem acreditar e for batizado será salvo”. Ora este alicerce apresenta-se hoje debilitado. Sem evangelização o batismo torna-se um rito exterior, uma cerimónia oficial sem ligação com a fé nem com a vida. Por isso, não basta pedir e celebrar o batismo. É indispensável integrá-lo num percurso de evangelização que promova nos candidatos (pais, no caso das crianças, e adultos batizados). Situando o batismo num processo de evangelização, pode realmente tornar-se fogo que aquece com o amor, força espiritual que impele a fazer o bem e luz que irradia pelo testemunho da vida nova em Cristo.
D. Manuel Pelino * Bispo emérito de Santarém

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