Um Santo por quinzena: São Bruno, “patrono” do silêncio

São Bruno nasceu na cidade de Colónia no ano 1035, de família nobre, e terminou os seus estudos na escola episcopal de Reims, para onde, após a ordenação sacerdotal, voltaria na qualidade de professor de teologia. Temos entre seus alunos Eudes de Châtillon, o futuro Papa Urbano II, e Santo Hugo de Grenoble. Foi ordenado sacerdote na sua terra natal, mas dedicou-se ao ensino de teologia na arquidiocese de Reims por mais de 25 anos. Fundou a mais exigente Ordem Religiosa da Igreja: a Cartuxa. Os cartuxos procuram conciliar a vida comunitária e silenciosa com a vida contemplativa. Na Cartuxa reside o silêncio total e absoluto como meio para chegar a Deus.
Bruno eeuniu em torno de si alguns companheiros dispostos a aceitar o desafio e fundou na região desértica de Chartreuse (França) o primeiro mosteiro da ordem. O Papa Urbano II, ex-aluno de São Bruno, escolheu-o para conselheiro e chamou-o a Roma. A estadia em Roma foi breve. Os monges não se adaptaram à cidade (construíram uma cartuxa junta às Termas de Diocleciano), e por isso tiveram a licença de voltar a Grenoble, enquanto o abade Bruno, deixando a Cúria Pontifícia, pôde descer à Itália meridional para erigir uma nova cartuxa, no modelo da francesa.

A estrutura arquitetónica de uma Cartuxa é profundamente original: a igreja, único lugar onde os irmãos se encontram para recitar o Ofício Divino, é coroada por pequenas casas de dois quartos, um térreo, destinado ao trabalho, e outro superior, a morada do monge, onde ele ora e repousa. Em Portugal, a única Cartuxa que existia foi fundada nos fins do século XVI pelo arcebispo de Évora, sob a evocação de Santa Maria Scalla Coeli (escada do céu). Foi encerrada em 2019, sendo os últimos monges transferidos para Espanha. Hoje em dia há cerca de 370 monges cartuxos e umas 75 monjas, todos distribuídos por 23 casas em 11 países da Europa, Ásia e Américas.

“O proveito e a alegria que a solidão e o silêncio do ermo trazem a todos os que O amam, só os que tiveram a experiência podem apreciar”. Assim escrevia São Bruno a um amigo, pouco antes de morrer a 6 de outubro de 1101.

 

José Victor Adragão * Professor de Filologia Românica

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