Pedofilia e clero: um estrondo para destruir a Igreja?

Todos ficamos escandalizados com episódios de pedofilia. Um caso, como sabemos, é grave. Vários casos, e na Igreja Católica, além de um pecado grave, é escandaloso e motivo de vergonha. Sim, vergonha!

Contudo, tal como tem sido recorrente ao longo dos últimos anos, especialmente no Pontificado de Bento XVI, não é novidade para ninguém escrever que há uma «campanha negra» devidamente oleada – com base no «pânico moral» -, sobre os escândalos de abuso sexual de menores pelo clero. Esta é a primeira evidência. Repare-se que aqueles que são a favor da erotização dos mais novos, da distribuição gratuita de preservativos às crianças, da oferta de abortos a pedido e mudança de sexo aos menores, são os mesmos que procuram explorar alguns casos de eventuais abusos de menores por elementos do clero. Exploram os abusos dos menores no seio da Igreja, mas não o fazem relativamente aos abusos nas instituições públicas, no seio das famílias, nos clubes desportivos ou nas escolas.

Contudo, antes de avançar, é necessário esclarecer que não há nada de mais hediondo do que o abuso sexual de uma criança inocente. Ninguém foi mais severo a esse respeito do que Jesus Cristo: «Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho, e o lançassem no fundo do mar» (Mateus, 18:6).

Assim, ninguém deve ter maior indignação e severidade contra esse tipo de abuso do que os católicos.

E se estivermos atentos à presente «campanha», leva-nos a perguntar se os actuais esforços – especialmente daqueles que tentam envolver Cardeais, Bispos e Padres – não apontam para uma associação entre «jornalistas» e «dissidentes católicos», numa tentativa de mudar o tipo de governo da Igreja de hierárquico para democrático.

Esta possível associação de modo nenhum diminui a gravidade dos pecados cometidos. Contudo, ela explica aspectos de uma verdadeira «lenda negra» a nível mundial que veicula as mesmas sugestões e pressões para mudar a Igreja, a fim de que Ela se conforme com a «moral» do mundo paganizado.

Segundo os media, a culpada dos pretensos abusos é a própria Igreja como instituição ultrapassada, portadora de uma moral repressiva, mas também devido à sua posição sobre o homossexualismo e o celibato, sem esquecer a sua estrutura hierárquica.

A pedofilia não tem nada a ver com celibato sacerdotal. Não conheço padres ou freiras a pugnar pelo fim do celibato. O que vejo são os «não católicos» e «católicos dissidentes» a insistir em tal coisa, numa tentativa crescente de fazer equivaler a Igreja Católica a uma confissão protestante. A sexualidade dos padres é igual à dos restantes homens, mas configurada no sacrifício a Cristo. Apenas uma ultra-minoria terá comportamentos desviantes: sexo com mulheres e menos ainda aqueles que eventualmente pratiquem relações homossexuais ou pedófilas. Mas há sempre excepções para confirmar a regra e essas aparecem logo nas parangonas dos jornais e TVs.

Deste modo, ao invés de deixar claro que os crimes hediondos cometidos e os seus supostos encobrimentos vão contra os ensinamentos e as estruturas da Igreja, os jornalistas alegam que tais ensinamentos e estruturas são a causa dos crimes! Ao invés de mostrar como a sexualidade desenfreada é parte do problema, apresentam o fim da «repressão sexual» como parte da solução.

Contudo, para os mais distraídos, nesta campanha já não se trata de «justiça», mas de perseguição à Igreja. Em França, por exemplo, o próprio método usado na «investigação» já deixava claro que não havia interesse nem na justiça, nem na verdade. Em primeiro lugar, é preciso que fique muito claro que não estamos a falar de números concretos, mas sim de estimativas. E mais: as estimativas baseiam-se em três fontes: os casos revelados por vítimas que fizeram queixa; os casos sobre os quais foram encontradas referências em documentação da Igreja e, por fim, um inquérito levado a cabo junto da população maior de idade em França e que nos revela, desde o ano de 1950, 216 mil supostas vítimas de abuso sexual.

E qual é a distribuição? 2700 vítimas tomaram a iniciativa de denunciar os seus casos e 4800 vítimas referidas nos registos diocesanos. Isto significa que os restantes 209.500 casos da estimativa foram calculados com base no tal inquérito feito à população. Um inquérito anónimo e sem qualquer evidência ou provas desses supostos abusos.

Posto isto, o que se pretende, como se já percebeu, é apenas perseguir a Igreja e seus membros. O Presidente Macron e as autoridades avisaram, de imediato, que querem colocar em causa o segredo da confissão. Isto, para os mais distraídos, é anticlericalismo puro e duro. Já no século XIX o tentaram fazer.

Além do mais, para esta gente, já não se trata de procurar a verdade, mas perseguir, perseguir a Igreja, os seus membros e os seus ensinamentos.

Finalmente, para os mais distraídos, a História revela que a Igreja «enfrentou outras tempestades» e delas saiu sempre reforçada. Assim, no meio da crise actual, devemos pedir que os culpados sejam punidos e a Igreja expurgada dos seus escandalosos membros.

 

José de Carvalho * Professor e Investigador de História

 

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