Mudança de ciclo político?

Com o chumbo do OE2022, o Portugal político voltou a ganhar força e interesse.

Há movimentações em todos os partidos e em todo o lado, sejam eles maiores ou menores, com mais ou menos implantação nacional, distrital, concelhia ou local.

As «guerras de bastidores» estão ao rubro. E tudo serve para arregimentar as «claques».

Contudo, quando se passa pelas redes sociais, pelos programas de rádio, da televisão ou se lêem os artigos nos jornais, percebe-se que o deprimente espectáculo dado pelos partidos das «não-esquerdas» pode ser um mau augúrio para o resultado final a oferecer pelo eleitorado em 2022.

Guerras intestinas, no seio dos partidos, até podem ser «normais» e «aceitáveis» para o comum do cidadão, mas que esses «conflitos», que parecem ultrapassar as questões meramente institucionais, tenham lugar à «porta fechada». Não é para defesa das pessoas envolvidas, uma vez que algumas delas não fazem qualquer falta aos partidos em que se encontram, muito menos ao País, mas para protecção e salvaguarda das instituições políticas que ainda representam e que, a seguir a Portugal, devem ser protegidas.

Por este motivo, eu, como mero cidadão «atento» aos assuntos da res publica, recomendo cautela, muita cautela à euforia montada nas hostes das «não-esquerdas» com a possibilidade de eleições legislativas antecipadas e a rápida «mudança de ciclo» trazida pelas eleições autárquicas.

O combate autárquico, como sabemos, tem uma dinâmica distinta do combate nacional. Além do mais, para os distraídos e eufóricos, será da maior prudência perceber quem, neste momento, ainda está em clara vantagem eleitoral e política.

Mas há mais: até ao momento, e pelo que me é dado perceber quando ando na rua, vou às compras ou viajo nos transportes públicos, é que as «esquerdas unidas» continuam a facturar simpatia junto do eleitorado, especialmente o maior vencedor com esta farsa montada com as eventuais eleições antecipadas: A. Costa e o «seu» PS. Não se trata de uma análise pessimista, mas de mero realismo prudente.

Mudança de ciclo político?

Sim! É desejável que haja essa mudança. Mas que esta oportunidade seja bem aproveitada! Se for desperdiçada, o eleitorado não nos perdoará. Não é por nós, que somos das «não-esquerdas», é mesmo pelos Portugueses! Os Portugueses que bem precisam e merecem uma mudança de ciclo política. E uma nova forma de fazer Política para as pessoas. Uma forma de fazer Política sem «guerras internas», sem ataques e sem recurso ao insulto soez.

 

José de Carvalho  *  Porto

Foto: DN

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

Deixe uma resposta

*