Testemunhar juntos o amor de Deus

Há hoje grande apetência para o espetacular, o que dá nas vistas, o maravilhoso. Procura-se o que toque, impressione, suscite emoções, atraia e envolva. Também os mais religiosos desejam milagres repentinos e aparições em que Deus mostre a sua presença e poder inquestionáveis. Outros, porém, voltam-se para o seu interior, buscam a espiritualidade no silêncio, na meditação, na experiência íntima de concentração e entrar em si mesmos. Esperam encontrar paz, iluminação e energia para um modo de viver mais rico.
Onde encontrar Deus nestes diferentes desejos e buscas das pessoas de hoje?
No evangelho de S. Lucas, capítulo 13, versículos 18 a 21, da liturgia de hoje, Jesus pergunta-se “a que é semelhante o Reino de Deus”. Usa então duas imagens simples para exprimir o mistério da presença e ação de Deus no mundo: o grão de mostarda, que sendo uma semente minúscula dá origem a uma árvore, e a do fermento, que, colocado na farinha, leveda toda a massa, permitindo a cozedura de um pão saboroso. Em ambos os casos, vem em evidência o contraste entre a pequenez dos elementos, à partida, e os efeitos notáveis que deles resultam. É um convite à confiança e à esperança. O homem lança a semente, mas Deus é quem faz crescer de modo admirável.
Deus não impõe o seu poder para cativar os homens nem os quer dominar com manifestações espetaculares. Antes, serve-se de meios modestos e humanos para se revelar e agir no mundo. Assim aconteceu com Jesus, usando sobretudo meios simples (parábolas, comparações…) para anunciar o Reino de Deus e fazer experimentar a sua presença. Após a sua morte e ressurreição, com o dom do Espírito Santo e o dom da pregação apostólica, a Palavra de Deus difundiu-se pelo mundo, e propagou-se entre os diferentes povos a única fé no Senhor Jesus. A pequena semente lançada por Jesus e o fermento do seu Evangelho começaram a crescer e a expandir-se, arreigando-se no coração dos homens que nele experimentaram o amor e o poder de Deus.
Também no mundo de hoje e a nós próprios, Deus manifesta o seu reino de modo modesto e silencioso. Sobretudo através de Jesus, dos seus discípulos e da Igreja, que é, como afirma o Concílio Vaticano II, “gérmen e início do Reino de Deus” (LG 5). Mas Deus dá-se igualmente a conhecer misteriosamente a todos os homens e mulheres de boa vontade: a quem O procura no segredo do coração e se esforça por alcançar o bem, a verdade e a justiça, segundo o ditame da sua consciência. Na verdade, ninguém que lhe abra o coração fica fora do amor de Deus e do seu reino.
Desejas conhecer a Deus, experimentar o seu amor e fazer parte do seu reino? Então, entra em ti, procura-o no teu íntimo, pois ele vive em ti! Busca-o também nos grupos cristãos e na Igreja. Presta atenção ao teu próximo, acolhe-o e ajuda-o como puderes, segundo as suas necessidades. Deixa-te amar por Deus, acredita nesse amor, vive animado por ele e procura da tua parte amar cada próximo segundo Deus. Este é o caminho para que o Seu reino se manifeste e cresça em ti. Participar no seu reino transfigura a nossa vida. Chiara Lubich testemunha: “Se o próprio Deus nos ama, tudo se torna mais fácil para nós na Terra, tudo se torna mais claro. Por detrás dos momentos obscuros da existência pode-se descobrir a mão amorosa de Deus, um motivo que muitas vezes desconhecemos, mas um motivo de amor. Tudo é mais suportável. E tudo é mais impregnado de alegria, se de alegria já se trata. (…) Se acreditarmos, e acreditarmos num Deus que nos ama, podemos ultrapassar qualquer impossibilidade, até a impossibilidade, às vezes tão evidente, de que este nosso berço, o Planeta que nos hospeda, viva em paz. Sim. Tudo é possível. Ou melhor, se o Omnipotente veio até nós, a nossa fé pode ir muito mais além. Podemos acreditar que, se o esperarmos e o pedirmos com todo o coração, o nosso mundo irá chegar à unidade: à união entre as gerações, entre as categorias sociais, entre as raças, entre os cristãos divididos há séculos, entre fiéis de religiões diferentes, entre os povos” (Deus ama-te imensamente, p. 55-56). Isto é presença e manifestação do reino de Deus no nosso mundo.
Não podes viver sozinho este amor de Deus. Une-te a outros e vivam juntos esse amor, entre vós e em relação a cada próximo, em especial os mais pobres e abandonados.
Agarra então hoje este desafio: testemunhar juntos o amor de Deus.
P. Jorge Guarda * Vigário geral * Diocese de Leiria-Fátima

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