Ser vigilantes e fazer a vontade de Deus no momento presente

Rotina da vida, cansaço, deceções e acomodação podem fazer-nos adormecer e apagar o desejo de Deus e de plenitude que há no nosso coração. Então, perdemos a luz, ficamos vazios, insatisfeitos e tristes. Vivemos momentos de desânimo, difíceis de fazer passar. Parece-nos que tudo o que fazemos não tem qualquer sentido. Como prevenir e superar esta situação espiritual, de modo a vivermos confiantes, animados e com esperança?

No evangelho de S. Lucas, capítulo 12, versículos 35 a 38, que ouvimos na liturgia de 19 de outubro, há nas palavras de Jesus uma advertência, uma bem-aventurança e uma promessa. Jesus prepara os discípulos para a sua vinda futura e final. Mas também para a de qualquer dia. Convida-os por isso a estar vigilantes e com as próprias lâmpadas acesas, ou seja, a esperar desde já essa vinda, sempre atentos e preparados. E afirma que são felizes os que o Senhor assim encontrar prontos para o acolherem. Então vem a promessa: mandá-los-á sentar à sua mesa e servi-los-á. Terão comunhão com ele, que partilhará com eles os seus bens e ficarão saciados pelo seu amor. Experimentarão assim com Ele a plenitude da vida.

Não é só no futuro que Jesus vem. Já agora ele quer encontrar-se connosco, dar-nos a sua vida e a vida de Deus. De facto, palavras de Jesus, como as que ouvimos hoje, vêm ao nosso encontro para nos despertar, iluminar e animar. Elas comunicam-nos o seu amor, tocam o coração e fazem germinar nele o ardor e o vigor espiritual. Tornamo-nos então mais atentos e capazes de identificar a voz e os sinais de Deus na vida de cada dia e somos levados a responder-lhe com o nosso amor, procurando fazer a sua vontade no momento presente.

A vontade de Deus é como a lâmpada sempre acesa que temos connosco, nos ilumina, dá força e acalenta. Chiara Lubich deixou-nos estas palavras: “Para amar a Deus é preciso fazer a Sua vontade. Mas a sua vontade apresenta-se momento a momento. Ela pode manifestar-se-nos através das circunstâncias externas, dos nossos deveres, de um conselho de pessoas com muita experiência ou que nos representam Deus. Ou até através de uma circunstância imprevista, dolorosa ou alegre, aborrecida ou indiferente. Quem a compreende é o espírito atento, a alma vigilante. Não é em vão que o Evangelho fala tantas vezes de vigilância”.

Queres superar o vazio do teu coração e a tristeza que por vezes o encharca? Desejas viver com confiança e esperança? Procuras a paz, a alegria e uma alma cheia de vida e a transbordar?

Escuta as palavras de Jesus que te convidam a estar vigilante e a esperar que ele chegue e bata à tua porta. Procura em cada momento presente identificar e fazer a vontade de Deus. Ela é expressão do seu imenso amor por cada um de nós. Vive com generosidade a vontade de Deus no presente, procurando amar cada próximo que encontras e aceitando as circunstâncias boas ou difíceis da tua vida.

Diz ainda Chiara Lubich: “Viver o presente é uma ideia e um hábito extraordinariamente rico. Viver o presente enxerta a nossa vida terrena, já desde agora, no curso da vida eterna” (Cada momento é único, p. 38). Queres melhor modo de viver e sentir a tua vida em grande?

Agarra então este desafio: sê vigilante e faz a vontade de Deus no momento presente.

 

P. Jorge Guarda * Vigário geral * Diocese de Leiria-Fátima

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