Libertar-se dos preconceitos, amando os outros

A disponibilidade para acolher e estabelecer relação com os outros é muitas vezes bloqueada pelos preconceitos com que os olhamos. Essas ideias resultam, por um lado, das palavras desfavoráveis que circulam no ambiente e, por outro, de um conhecimento inexistente ou parcial. Só o encontro amigável e o diálogo permitem desfazê-las, dando-nos uma visão mais positiva dos outros. Pelo seu exemplo e as suas palavras, Jesus liberta-nos dos preconceitos, levando-nos a respeitar os outros e a não ceder à impaciência ou ao desejo de vingança.

Isto mesmo nos mostra a passagem do Evangelho de S. Lucas (9,51-56) que escutamos na liturgia de hoje, 28 de setembro. Jesus inicia a sua peregrinação para Jerusalém, onde irá sofrer a sua paixão e morte, sendo levado deste mundo para Deus, seu Pai. Envia então mensageiros à sua frente, que deviam preparar-lhe hospedagem numa aldeia de samaritanos. Estes, inimigos dos judeus e vendo com maus olhos o culto praticado por eles em Jerusalém, recusam receber Jesus. Irritados com a rejeição, os discípulos Tiago e João sentem desejo de vingança. Perguntam então a Jesus se quer que mandem descer fogo do céu para destruir quem os não quis receber. Jesus não cede, repreende-os e diz que sigam para outra povoação.

Jesus oferece-se a todos, sem preconceitos, e aceita que o recusem. Mas não desiste. Se uns não o querem receber e ouvir, vai ao encontro de outros que lhe abram os ouvidos e o coração. A esses revela o amor de Deus e oferece-lhes uma vida esplêndida. Seguir Jesus, em qualquer tempo, é aprender com ele a viver segundo o estilo e a paciência de Deus.

O Evangelho de Cristo enfrenta também hoje recusa e oposição, porém, ao verdadeiro discípulo está proibida a impaciência, que, mais do que zelo amoroso, mostra pouca fé e representa um obstáculo para um testemunho autêntico sobre ele.

Queres viver e agir como cristão autêntico? Então, como Jesus, faz da tua vida uma peregrinação em direção a Deus e ao encontro dos irmãos em humanidade, sem receio das adversidades e sofrimentos. Não te deixes bloquear pelos preconceitos em relação aos outros, sejam eles quem forem. Escuta as palavras de Jesus e procura pô-las em prática. Elas purificam o teu olhar e esvaziam o teu coração e a tua mente de preconceitos, gerando nele espaço para a fé viva e o amor. E dão-te uma outra visão sobre cada próximo que encontras. Chiara Lubich escreve: “Cada Palavra de Deus é o mínimo e o máximo que Ele te pede, por isso quando tu lês: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Mt 19,19), tens a lei fraterna da máxima medida” (Ser tua Palavra, 30).

Agarra então este desafio: não te deixes bloquear pelos preconceitos, ama o teu próximo como a ti mesmo.

 

P. Jorge Guarda * Vigário Geral * Diocese de Leiria-Fátima

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