Fazer-se próximo da pessoa necessitada

As pessoas não sentem apenas sede e fome materiais, mas também espirituais. Não é fácil aperceber-se delas. Jesus soube captar uma e outra naqueles que o seguiam. Podem o seu exemplo e ensinamento saciar a nossa busca interior e tornar-nos capazes de partilhar com os outros o seu amor e os bens que nos dá? Na liturgia de 05.01.2022, escutamos os versículos 34 a 44 do capítulo 6 do evangelho de São Marcos. Diz o Evangelho:

“Naquele tempo, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou então a ensiná-los demoradamente. Como a hora ia já muito adiantada, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «O local é deserto e a hora já vai adiantada. Manda-os embora, para irem aos casais e aldeias mais próximas comprar de comer». Jesus respondeu-lhes: «Dai-lhes vós mesmos de comer». Disseram-Lhe eles: «Havemos de ir comprar duzentos denários de pão, para lhes darmos de comer?» Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes? Ide ver». Eles foram verificar e responderam: «Temos cinco pães e dois peixes». Ordenou-lhes então que os fizessem sentar a todos, por grupos, sobre a verde relva. Eles sentaram-se, repartindo-se em grupos de cem e de cinquenta. Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou a bênção. Depois partiu os pães e foi-os dando aos discípulos, para que eles os distribuíssem. Repartiu por todos também os peixes. Todos comeram até ficarem saciados; e encheram ainda doze cestos com os pedaços de pão e de peixe. Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.”

Jesus não é um líder dos que buscam os aplausos das multidões. Ele ama as pessoas, conhece-as, apercebe-se das suas inquietações e necessidades e compadece-se delas.

O seu empenho principal é comunicar-lhes os ensinamentos de Deus, abrir-lhes o caminho para viverem segundo o espírito de Deus e entrarem no seu reino eterno. Mas não deixa de se ocupar também das necessidades materiais e do alívio dos seus sofrimentos. Nesta tarefa, envolve também os seus discípulos e usa os bens partilhados, multiplicando-os para que matem a forme a todos.

O amor de Jesus envolve a pessoa toda e é na sua integridade que a quer orientar para Deus. Este milagre da multiplicação dos pães faz-nos pensar também na Eucaristia, em que Jesus se nos oferece como “pão do Céu” para saciar a nossa fome espiritual, vivermos unidos a Ele e n’Ele termos a força para amar como Ele nos ama a nós.

Sentes fome e sede espiritual e desejas saciá-las? Procura Jesus na leitura do Evangelho e alimenta-te da Eucaristia. Ele torna-se presente no teu coração e enche-o de amor, de paz, de força e de sabedoria. Corresponde ao seu amor por ti, vivendo segundo o seu Evangelho. Por Jesus e segundo o seu exemplo, ama o teu próximo. Reparando nas suas necessidades e aspirações íntimas, faz-te próximo dele, ajudando-o de modo concreto. Diz Chiara Lubich: “O verdadeiro comportamento que traduz as palavras «amor» e «amar» é o fazer-se um, ir ao encontro do irmão, das suas carências, assumir as suas necessidades, como também os seus sofrimentos. Então terá significado dar de comer, de beber, oferecer um conselho uma ajuda”. Quem assim é amado, experimenta de algum modo o amor de Jesus, mesmo que ainda não lhe tenhas falado do Evangelho.

Agarra então hoje este desafio: por amor de Jesus, faz-te próximo de cada pessoa necessitada. E Jesus saciará o teu coração com a sua presença espiritual e a fraternidade daqueles a quem amas.

P. Jorge Guarda * Vigário geral da Diocese de Leiria-Fátima

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

Deixe uma resposta

*