Espiritualidade do advento anuncia futuro promissor

Tradição, hábitos e rotina ajudam muito na nossa vida quotidiana, tornando-a previsível e dando-nos segurança. Mas também a fazem estagnar, impedindo de crescer e melhorar. Assim adormece-se, faltam desafios e a esperança no futuro esmorece. No Advento, a voz dos profetas ressoa para proclamar a palavra de Deus, exortar a olhar o futuro e assim despertar os crentes desalentados e adormecidos.

Nesta Palavra de Deus deste II domingo ressoam as três marcas características da espiritualidade do Advento: a promessa, a espera e a esperança na vinda do Senhor.

A promessa diz respeito à vinda de Deus ao nosso mundo e à sua permanência. Há assim a garantia de um futuro promissor. Vivemos entre a vinda histórica de Jesus, o Filho de Deus que assumiu a carne humana, e a espera da sua vinda no final dos tempos, quando este mundo for transformado. Mas a vinda espiritual do Senhor é contínua, pois ele torna-se próximo de nós e faz caminho connosco nas variadas circunstâncias da vida pessoal e coletiva. Só o pode reconhecer presente quem acolhe e acredita na promessa que a sua Palavra nos faz.

Uma vez acolhida, a promessa coloca-nos em atitude de espera, vigilantes e ativos. Como os ouvintes de Baruc, também nós, movidos pela Palavra de Deus, temos que deixar as vestes de luto e revestir-nos da “beleza da glória que vem de Deus”. Isto significa purificação e renovação espiritual, abandono do pecado e busca do perdão. A espera é ativa e leva-nos a abrir a Deus e aos outros o próprio coração para os acolher e amar de modo concreto, pela oração e a pela ação, vivendo na fé e no amor.

A espera pode impacientar-nos, se não tivermos a virtude da esperança. Esta é dom de Deus e revigora-se na escuta e adesão à sua Palavra. A rotina da vida faz-nos perder capacidade de ver as novidades, de captar os sinais e de reparar no que vem de novo. Por isso, o profeta exorta o povo a levantar-se, a olhar “para o Oriente” e a ver os próprios filhos reunidos e “felizes por Deus se ter lembrado deles”. E João Baptista exorta a preparar “o caminhos do Senhor”, alteando vales, abatendo montes e colinas e aplanando caminhos. A obediência à Palavra de Deus leva-nos a ver Deus em ação no meio de Deus e a identificar as suas maravilhas. Onde alguns só veem desgraças, o crente vislumbra sinais de nova vida; onde uns só veem trevas, o fiel deteta focos luminosos; onde predomina uma visão de mal, o homem de fé descortina promissores atos de bem. Para o cristão, a esperança não é abstrata, mas baseia-se na palavra de Deus e nos sinais já visíveis na nossa vida e no nosso mundo.

É assim com a promessa, a espera e a esperança no coração que podemos viver e percorrer, animados, os caminhos do Avento em direção ao reencontro com o Senhor connosco e com o nosso mundo. É promissor o nosso futuro. O Senhor fez e faz maravilhas em favor do seu povo e em cada um de nós.

 

P. Jorge Guarda * Vigário geral da diocese de Leiria-Fátima

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