Religiões apelam à defesa da criação

No passado dia quatro de outubro, dia de São Francisco de Assis, numerosos responsáveis cristãos e de outras religiões apelaram, ao COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática de 2021), ações concretas e urgentes a colocar em prática. Os signatários incluem representantes de alto nível de todas as denominações cristãs, islamismo sunita e xiita, judaísmo, hinduísmo, sikhismo, budismo, confucionismo, taoísmo, zoroastrismo e jainismo – representando uma amplitude de representantes religiosos muito ampla. Este apelo foi forjado em reuniões com todos os responsáveis religiosos durante o ano de 2021 e estiveram representados, também, cientistas, que contribuíram para uma decisão coletiva. A COP26 vai realizar-se dentro de algumas semanas e as preocupações de grandes países tem sido, antes do mais, defender uma economia de mercado – neocapitalista -, do que pela defesa do nosso planeta. É óbvio que os apelos são realizados, mas existem duas questões que deverão ser assimiladas por todos e todas nós. A primeira, é que um apelo não passa de um apelo, são necessárias outras disposições para que os países mais neocapitalistas cedam em alguma coisa e não abandonem as discussões, como alguns o fizeram, por exemplo os Estados Unidos da América, que volta agora, por decisão do novo presidente. A segunda, é que quem apela deve estar ciente que é a voz de todos que representam, e que esses compreendem o apelo e fazem das suas vidas atitudes que levam o apelo à prática. Não queria ser negativo, mas, certamente, as bases destas religiões nem sabem o que o apelo diz, nem querem saber.

Concretamente o apelo: a) exorta o mundo a atingir as emissões líquidas de carbono zero o mais rapidamente possível, a fim de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais; b) pressiona as nações mais ricas e aquelas com maior responsabilidade a assumir a liderança, intensificando sua ação climática em casa e apoiando financeiramente os países vulneráveis ​​para que se adaptem e enfrentem as mudanças climáticas; c) insta os governos a aumentarem sua ambição e cooperação internacional para a transição para energia limpa e práticas de uso sustentável da terra, sistemas alimentares ecologicamente corretos e financiamento responsável; d)compromete os próprios líderes religiosos a uma ação climática maior. Notavelmente, fazendo mais para educar e influenciar os membros de suas tradições e participando ativamente do debate público sobre questões ambientais. Os líderes religiosos, também, apoiarão ações para tornar seus ativos comunitários mais verdes, como propriedades e investimentos. Com a janela se estreitando para restaurar o planeta, os líderes religiosos e cientistas imploraram à comunidade internacional para agir rapidamente, dizendo: “As gerações futuras nunca nos perdoarão se perdermos a oportunidade de proteger nosso lar comum. Herdamos um jardim: não devemos deixar um deserto para nossos filhos”.

O presidente designado da COP26, Alok Sharma, ao receber este apelo afirmou: “Estou honrado em receber este apelo conjunto o que é histórico enquanto pressionamos para o progresso no sentido de limitar o aumento da temperatura global para 1,5ºc na COP26 em apenas algumas semanas. Devemos todos ouvir as vozes das pessoas mais afetadas pela mudança climática e espero que as pessoas de fé continuem a ser uma parte fundamental deste diálogo enquanto trabalhamos juntos para impulsionar a ação climática.”

Parece estarmos todos, então, de acordo com o apelo, só que as forças do dinheiro são mais fortes, o popularismo, quotidiano das nossas vidas, o negacionismo, e que vão subindo e o neocapitalismo só reverte as suas opiniões se começar a perder, então dá alguns passos tímidos para dar a ilusão de que está a lançar a rede de uma nova humanidade, o que não é verdade.

Mas o ponto principal que nos interessará agora, como signatários do apelo, é que façamos das nossas vidas, pelo exemplo, o que foi assinado, em nosso nome. O Jardim de Éden voltará se todos formos capazes de estender o apelo a cada um e a cada uma de nós.

 

Joaquim Armindo  *  Pós – Doutorando em Teologia  *  Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental  *  Diácono – Porto – Portugal

 

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1 Comment

  1. Gostei muito de ler este trabalho. Não é cansativo, e chama a atenção para problema tão importantes e atuais. Abraço amigo e Tudo bom.

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