Mensageiros da Paz

A mensagem do bispo de Roma e papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, começa pelo versículo do profeta Isaías 52,7, “que formosos são sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz”, e que enforma toda a mensagem deste caminho da esperança e da fé, traduzida nos construtores da Paz. Este mensageiro é cada um e cada uma de nós, cristãos e cristãs, que assumimos a tarefa de contra os ventos e as marés, sulcarmos as montanhas, os montes, anunciando que é possível acabar com a guerra e proclamar a Paz e a Justiça em todos os cantos deste cosmos, habitado ou não. Diz Francisco: “Estas palavras do profeta Isaías manifestam a consolação, o suspiro de alívio dum povo exilado, extenuado pelas violências e os abusos, exposto à infâmia e à morte. Sobre esse povo, assim se interrogava o profeta Baruc: “Por que estás tu em terra inimiga, envelhecendo num país estrangeiro? Contaminaste-te com os mortos, foste contado com os que descem ao Hades” (3,10-11). Para aquela gente, a chegada do mensageiro de paz significava a esperança dum renascimento dos escombros da história, o início dum futuro luminoso.”

Esta mensagem lembra-nos os “mensageiros da Paz”, que em todo o nosso país, nas décadas de sessenta e setenta do século passado exigiam o fim da guerra colonial, como na capela do Rato, e em tantas manifestações públicas afirmavam que a “Paz é Possível”, sem machucarmos ninguém. Faz-nos refletir e verificar que nos dias de hoje ainda existe quem em nome dum malfadado e não cristão slogan de “Deus, Pátria e Família”, querendo exprimir a opressão dos povos, apresentam-se em pleno século XXI, como paladinos da moral cristã e fomentam a guerra, estes não são os “construtores da Paz”, mas são aqueles que se chamam ao papa Francisco, o destruidor da Igreja. Não desejamos guerra com ninguém, nem a fomentamos, mas como Isaías se não denunciarmos os ardilosos sufocadores da vontade livre dos povos, somos coniventes. Não somos detentores da verdade, mas sentimos o que nos conta a história passada de pesadelos, mortes e destruições.

Mas Francisco, o tal que quer destruir a Igreja, diz mais: “Ainda hoje o  caminho da paz – o novo nome desta, segundo São Paulo VI, é  desenvolvimento integral – permanece, infelizmente, arredio da vida real de tantos homens e mulheres e consequentemente da família humana, que nos aparece agora totalmente interligada. Apesar dos múltiplos esforços visando um diálogo construtivo entre as nações, aumenta o ruído ensurdecedor de guerras e conflitos, ao mesmo tempo que ganham espaço doenças de proporções pandémicas, pioram os efeitos das alterações climáticas e da degradação ambiental, agrava-se o drama da fome e da sede e continua a predominar um modelo económico mais baseado no individualismo do que na partilha solidária. Como nos tempos dos antigos profetas, continua também hoje a elevar-se o clamor dos pobres e da terra para implorar justiça e paz.” É este o clamor da justiça e da história, que nós, como tendo sido povo colonizador, não podemos esquecer, seremos livres e libertadores, construtores da Paz em liberdade, da amizade e da cumplicidade. Nós não podemos ignorar o que é dito e redito em nosso nome, e que se não denunciarmos somos cúmplices.

Depois de afirmar que temos de construir uma arquitetura da Paz, Francisco não coloca ninguém ao lado: “Todos podem colaborar para construir um mundo mais pacífico partindo do próprio coração e das relações em família, passando pela sociedade e o meio ambiente, até chegar às relações entre os povos e entre os Estados.”

Para construir uma Paz duradoura existem três caminhadas a empreender: “Primeiro, o diálogo entre as gerações, como base para a realização de projetos compartilhados. Depois, a educação, como fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento. E, por fim, o trabalho, para uma plena realização da dignidade humana. São três elementos imprescindíveis para tornar “possível a criação dum pacto social”, sem o qual se revela inconsistente todo o projeto de paz.” É esta dignidade humana que defendemos, este pacto fundamental, e que não nos façam caminhar em direção à guerra.

 

Joaquim Armindo  *  Pós – Doutorando em Teologia  *  Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental  *  Diácono – Porto

 

 

 

 

 

 

 

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