Mas digam: casar é pecado?

Há muitas igrejas cristãs onde os clérigos – diáconos, presbíteros e bispos -, são casados. Estarão a pecar? Na Igreja Católica Romana, porém, só os diáconos podem casar, se no ato da ordenação forem casados, porque se não o forem ficarão solteiros e os viúvos, viúvos serão. Quando Deus criou o Jardim do Éden – segundo o magnifico poema do mito de origem da Criação -, depois de tudo criar, fez o homem e a mulher e disse: cuidai da criação e multiplicai-vos. Foi um casamento, e não que por isso fosse um pecado, nem foi esse o pecado cometido. E Adão e Eva lá se entenderam e deram origem a multidões de pessoas, aos milhares de milhões que hoje somos. Como disse, este é um poema mítico, mas que descreve muito bem o que o Criador queria: cuidar e multiplicar.

A determinada altura – que não na igreja primitiva -, a igreja decidiu que os presbíteros e os bispos, tinham que ser homens e mais não podiam casar, teriam de ser assexuados, e vai daí uns não casaram e “casaram”, outros foram pais, mas continuaram celibatários. Estas decisões nada têm a ver com a corresponsabilidade sinodal que se pretende para a igreja.

A Páscoa do Senhor e a Páscoa, são celebrados em cada domingo, e a Páscoa nada é sem o centro fundamental da vida cristã, que é a Eucaristia; no entanto há milhares de milhares de cristãos e cristãs que não podem celebrar, não há padre. Há comunidade, mas não existe um homem que queira abraçar o celibato e, portanto, como é mais importante que a Eucaristia, é o celibato obrigatório, não se pode celebrar a Páscoa em cada domingo dedicado ao Senhor. Esta conclusão é obrigatória: mais importante na vida do cristão não é celebrar a morte, ressurreição e aparecimento do Senhor, mas o Celibato.

Se o Sínodo da Amazónia decidiu o contrário, não tem importância nenhuma, Francisco, bispo de Roma e Papa, decidiu não decidir sobre a conclusão do Sínodo e ficou tudo na mesma. Mas se na Amazónia e noutras regiões do mundo os fiéis podem esperar um ou dois anos para celebrar a Páscoa e quem falecer tem de esperar e não morrer enquanto não aparecer um padre, aqui na nossa Europa, e no nosso Portugal, já se está a passar o mesmo, em vez de ser dois anos, é um mês ou umas semanas.

Mesmo os diáconos, que já vão parecendo ajudantes de terceira dos padres não o poderão fazer, e em algumas zonas nem celebrações da Palavra. E quando alguém estiver para falecer, que espere um pouco até o diácono chamar um pároco, que é celibatário e esse sim poderá dar as últimas esperanças ao doente, se este falecer, entretanto, paciência à falta de padres, “não há vocações”, pode morrer angustiado, só porque não existem celibatários em quantidade suficiente.

Tudo isto por causa do casamento, ou seja, casar é pecado; quem casa não pode exercer o ministério de presbítero e bispo. Quem não casa, sim esse, pode ser tudo, não é pecador; vejam bem e até pode dar conselhos aos casais, aqueles que casam e são pecadores.

Mas será que casar é mesmo pecado?

Joaquim Armindo

Pós-doutorando em Teologia

Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

Diácono – Porto – Portugal

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