Compromisso do Povo de Deus

Se não existisse Povo de Deus, não seria necessário o Sínodo, por isso este povo “com cheiro a ovelhas”, é determinante e determinativo para a existência de um Sínodo na Igreja, e, portanto, deve ser a motor nuclear do caminho, antes, durante e após a realização da reunião sinodal. O Povo de Deus constitui a sinodalidade, sem ele não será preciso sínodo; Jesus nunca prescindiu daqueles e daquelas que com ele viajavam, era por eles(as) e com eles(as) que era constituído o percurso sinodal. A Comissão Internacional de Teologia, ao estudar o “percurso sinodal”, há alguns anos, afirma que: “Ainda que o termo e o conceito de sinodalidade não se encontrem, explicitamente, no ensinamento do Concílio Vaticano II, pode-se afirmar que a instância da sinodalidade está no coração da obra de renovação por ele promovida. A eclesiologia do povo de Deus sublinha, de fato, a comum dignidade e missão de todos os batizados no exercício da multiforme e ordenada riqueza dos seus carismas, das suas vocações, dos seus ministérios. O conceito de comunhão exprime, nesse contexto, a substância profunda do mistério e da missão da Igreja, que tem na reunião eucarística a sua fonte e o seu cume. Esse designa a res do Sacramentum Ecclesiae: a união com Deus Trindade e a unidade entre as pessoas humanas que se realiza mediante o Espírito Santo em Cristo Jesus.”  Ao referir-se à “eclesiologia do povo de Deus”, centrada nos seus múltiplos ministérios e ao “conceito de comunhão” impregnado na fonte eucarística, coloca o Povo de Deus como centro vivencial de qualquer “percurso sinodal”.

Por isso, continua é que: “A sinodalidade, nesse contexto eclesiológico, indica o específico modus vivendi et operandi da Igreja povo de Deus que manifesta e realiza concretamente o ser comunhão no caminhar juntos, no reunir-se em assembleia e no participar ativamente de todos os seus membros em sua missão evangelizadora. Enquanto o conceito de sinodalidade recorda o comprometimento e a participação de todo o povo de Deus na vida e na missão da Igreja, o conceito de colegialidade precisa o significado teológico e a forma de exercício do ministério dos Bispos a serviço da Igreja particular confiada ao cuidado pastoral de cada um e na comunhão entre as Igrejas particulares no seio da única e universal Igreja de Cristo, mediante a comunhão hierárquica do Colégio episcopal com o Bispo de Roma.”, ou seja, se o epicentro da comunhão está em Jesus, o Senhor, então a sinodalidade reside na base, de uma forma colegial, formada por todos os sínodos residentes em qualquer parcela do Povo de Deus, e, mais, em qualquer comunidade humana; se não for assim então a comunhão é um simulacro e não serve o Evangelho.

Só pode ser responsável quem garantir que a “colegialidade” é a forma do próximo sínodo, não de uma maneira que, para melhor compreensão, podemos chamar de leninista, mas porque “A colegialidade, portanto, é a forma específica na qual a sinodalidade eclesial se manifesta e se realiza através do ministério dos Bispos no nível da comunhão entre as Igrejas particulares em uma região e no nível da comunhão entre todas as Igrejas na Igreja universal. Toda autêntica manifestação de sinodalidade exige, por sua natureza, o exercício do ministério colegial dos Bispos.” Mas os bispos têm que cheirar às tal ovelhas, o que parece ser difícil, se acentuarmos os comportamentos da maioria dos bispos do mundo e, em particular, dos portugueses.

Não pode existir exercício do “ministério colegial dos Bispos”, sem uma ampla participação ativa no mesmo do Povo de Deus; os Bispos, em si, são uma parte, mas não são só o Povo de Deus. Porventura, muitos estão ligados ao povo que professa a sua fé em Jesus de Nazaré, mas sem o querer da participação ativa, mesmo no meio da reunião sinodal, dos chamados “leigos” terem o seu assento e a sua voz, a reunião sinodal falará pela voz dos tantos, mas não do Povo de Deus. O Espírito de Deus sopra pelo Povo de Deus, e não só por alguns.

Joaquim Armindo  *  Pós – Doutorando em Teologia  *  Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental  *  Diácono – Porto

 

 

 

 

 

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