Seminários para uma Igreja em saída

Os seminários surgiram na Igreja Católica, fruto da reforma introduzida pelo Concílio de Trento. Têm, portanto, cerca de 500 anos. É evidente que foram sofrendo algumas remodelações desde então. Contudo, continuam mais próximos do modelo formativo tridentino do que da ideia de uma Igreja em saída preconizada pelo Vaticano II e recuperada pelo Papa Francisco.

 

Um exemplo disso – certamente não o mais grave – é a oração proposta para a Semana dos Seminários que a Igreja portuguesa está a celebrar. É uma oração em que, fora do contexto seminarístico e clerical, só terá ligação ao mundo e às comunidades paroquiais na palavra “missão”, a última antes do “Ámen”.

 

Desde o Concílio Vaticano II fizeram-se algumas experiências para reinventar os seminários. Foram abandonadas, pois não resolveram, como se pretendia, a crise de vocações.

 

Há quase vinte anos, em 2005, Bento XVI disse num encontro com seminaristas que o seminário é “não tanto um lugar, mas exatamente um significativo tempo da vida de um discípulo de Jesus”. O então Papa entendia o seminário como um “tempo forte” de “encontro” com Cristo, “na perspetiva de uma importante missão na Igreja”.

 

A formação dos futuros padres – sobretudo os diocesanos, mais destinados a viver no mundo, nas paróquias – exige um maior contacto com a vida concreta das pessoas. “O seminário, para ser fiel ao que se propõe, não pode mais ser apenas um lugar “retirado”! Há de se conjugar uma formação específica com uma inserção em meios académicos laicos, que proporcione aos jovens candidatos saborear a vida real, onde em última análise irão exercer o seu ministério”, escrevia Manuel dos Santos, transmontano de origem que rumou ao Brasil para ser presbítero da Arquidiocese de Londrina. Considerava que o modelo formativo do seminário “não é somente arcaico, está falido!”

 

Lá como cá, é necessário rezar, não só pelos seminários, mas para que o Espírito inspire a Igreja a encontrar novos percursos formativos dos candidatos ao presbiterado. Percursos que os levem a encontrarem-se com Jesus Cristo. E que melhor os preparem para O testemunharem no mundo (Cf. Mc. 3, 14).

 

P. Fernando Calado Rodrigues * Diocese de Bragança-Miranda

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