Lançamento do Livro «Igreja de S. Miguel do Castelo», da autoria de Isabel Maria Fernandes

O lançamento público do livro, editado pela Associação de Amigos do Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães, vai decorrer no Paço dos Duques, em Guimarães, e será apresentado pelo Professor Doutor Luís Carlos Amaral, docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Após o lançamento do livro será apresentada uma réplica da escultura de S. Miguel Arcanjo, em calcário policromado, do séc. XV, e que esteve ao culto na Igreja de S. Miguel do Castelo. Hoje esta imagem integra a exposição permanente do Museu de Alberto Sampaio. Esta réplica resultou do trabalho de Investigação e Desenvolvimento levado a cabo por uma equipa multidisciplinar, de grande rigor científico e técnico, envolvendo um especialista em fotografia científica de Património Cultural (Luís Bravo Pereira), um especialista em fotogrametria e geomática aplicadas ao Património (Hugo Pires), um especialista em Impressão 3D (Bruno Rebelo) e dois Conservadores-Restauradores (Susana Meneses e António Fernandes).

 

Texto sobre o livro Igreja de S. Miguel do Castelo

Com a publicação do livro «Castelo de Guimarães: Livro-Guia do Centro Interpretativo», da autoria de Mário Jorge Barroca e Luís Carlos Amaral, demos início à edição de estudos monográficos sobre os três monumentos nacionais que se situam no Monte Latito.

O estudo ora publicado sobre a Igreja de S. Miguel do Castelo, também conhecida ao longo dos séculos como de Santa Margarida, irá dar a conhecer este vetusto e secular edifício, que marca a paisagem da urbe vimaranense e foi acompanhando a gesta dos portugueses ao longo dos tempos.

Desde cedo associada ao nascimento do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, a igreja, é, no entanto, uma construção dos inícios do séc. XIII, tendo sido sagrada em 1239.

Neste estudo recorreu-se quer a documentação de arquivo quer ao que foi sendo publicado sobre este monumento nacional, começando por se analisar o seu devir ao longo dos séculos, passando pela análise do edifício e das transformações que o homem lhe foi introduzindo, e terminando por dar a conhecer um conjunto não despiciendo de peças que a ornamentavam e que, por circunstâncias várias, foram ter a outras instituições.

Este estudo é devedor do contributo de muitas pessoas e instituições, as quais nos deram a conhecer documentos originais, nos ajudaram na sua leitura, nos sugeriram bibliografia e nos encaminharam para novas e desconhecidas fontes iconográficas. A todos o meu sincero bem hajam!

Este estudo é também um fruto da COVID-19. Se bem que desde há dois anos que andamos a pesquisar documentos de arquivo e bibliografia, a fazer leituras, a reunir imagens, a descobrir qual o acervo da igreja, a verdade é que o grosso da redação foi realizado durante o período de teletrabalho a que a pandemia nos obrigou.

Por último, um agradecimento muito especial à Associação de Amigos do Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães, que edita o livro e à Câmara Municipal de Guimarães que generosamente contribuiu para a sua edição.

várias, foram ter a outras instituições.

 

 

Texto sobre a réplica do S. Miguel do Castelo

«O projecto da produção de uma Réplica da escultura de S. Miguel Arcanjo é um projecto inovador que resultou do trabalho de Investigação e Desenvolvimento levado a cabo por uma equipa multidisciplinar, de grande rigor científico e técnico, envolvendo um especialista em fotografia científica de Património Cultural (Luís Bravo Pereira), um especialista em fotogrametria e geomática aplicadas ao Património (Hugo Pires), um especialista em Impressão 3D (Bruno Rebelo) e dois Conservadores-Restauradores (Susana Meneses e António Fernandes). O objectivo é a produção de réplicas de obras de arte de elevado valor patrimonial com técnicas não invasivas e evitando contacto físico com a obra (como seria o caso das técnicas de replicação por moldagem, substituídas totalmente pela modelização 3D fotogramétrica neste projecto, com a vantagem adicional de o processo fotográfico com gestão de cor recolher simultaneamente informação rigorosa da cor do objecto original) e que, para garantir o bom estado de preservação da obra original, não se devem deslocar para fora da instituição que a acolhe – como é o caso da escultura de S. Miguel Arcanjo existente no Museu Alberto Sampaio. Muito frequentemente a escultura sacra existente em museus foi retirada de espaços de culto ainda activos, mas onde não tinham as condições de acolhimento ou de segurança necessárias à sua boa preservação. É nesse sentido que a possibilidade de se criarem réplicas cientificamente exactas e realistas, com as mesmas dimensões e aspecto visual da obra original – mas produzidas em materiais modernos sintéticos, extremamente leves e duráveis – vêm possibilitar no Séc. XXI a reposição do objecto de culto – no caso da escultura sacra com elevado valor patrimonial – no seu local de origem e até, em alguns casos, poderá mesmo com vantagem substituir obras usadas em manifestações religiosas como procissões, em que as obras originais são poupadas da exposição e erosão aos elementos atmosféricos. Acrescenta-se o facto de que estas réplicas, por serem concebidas em materiais muito leves, apresentam a vantagem de serem muito mais fáceis de transportar.

O objectivo deste projecto não é produzir grande número de réplicas. No presente caso, além da réplica visualmente similar à obra original, produziu-se uma segunda réplica acromática (sem cor) mas preparada para ser tacteada por cidadãos invisuais, que estariam de outro modo vedados ao usufruto da obra musealizada. Abrem-se assim novas aplicações para as réplicas cientificamente realistas, de que este caso de colaboração com o Museu Alberto Sampaio foi um feliz “kick start” para esta equipa de especialistas.»

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

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