Crónicas de Peregrino: E voltei a partir…

Era já o terceiro ano, e desta vez já fervilhava em mim muitos sentimentos diferentes sobre as peregrinações.

Coincidiram com a visualização de um filme sobre o Caminho de Santiago e o início da minha perceção de insegurança de peregrinar pela estrada. Começava a crescer em mim a vontade de conhecer outras experiências peregrinas. (voltarei a este tema numa próxima crónica). Mas este ano parti diferente, em missão!

Não sei precisar datas, mas ao fazer scroll no ecrã do telemóvel sobre as redes sociais passei por uma imagem de uma bebé recém-nascida. Como comum utilizador destas ferramentas eletrónicas, passei só pela imagem e não li. Passei várias vezes e não li!

Em determinado momento, a minha esposa, repara na imagem e comenta, Ooooh! que linda bebé, quem é? – ahhhh!, é a menina do Cardeal, meu colega!

O que é que diz? Tomei um choque!

A publicação era como tantas outras que nem perdemos o nosso tempo para ler…. um pedido sentido de ajuda. Maria Raquel, nascera com uma doença rara e o pedido de ajuda era para dador de medula óssea.

Não sabia o que sentir, naquele momento, mas sabia o que ia fazer.

E, pela primeira vez, tive um motivo para partir. Parti em peregrinação pela Maria Raquel.

Pagar promessas é um grande sofrimento, mas caminhar em oração por alguém, estava longe muito longe de saber o que era. E fui!

Decidi como católico e praticante que sou, sair em oração, meditar orar por Maria Raquel, chegar, confessar e comungar. Todo o meu sofrimento, o meu desanimo eram em graças para a cura da menina.

Cada dia que passava eu mais meditava, o meu terço acompanhou na minha mão todos os meus passos. O meu grupo era o do costume, sabiam que estava ali, para eles e para os outros, e que vinha lá na retaguarda seguindo-os.

Temos no grupo, a liberdade para sermos nós mesmos em nós, e quando estamos orando ninguém nos perturba.

Orei muito, acho que nunca tanto como naqueles cinco dias. lembro-me do calor de maio a queimar-me a pele nas intermináveis retas, subidas e descidas da Nacional. Do barulho dos carros e dos vendavais dos camiões, e eu concentrado na minha missão.

Pus à prova a minha devoção, a minha crença à Senhora que viera do Céu mais brilhante que o Sol. Eu próprio estava confiante e perdido ao mesmo tempo…

Tentava lembrar-me dos meus episódios de contactos com a mãe e as suas graças divinas que me mantiveram vivo e devoto.

Cheguei, de alma lavada como nunca, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima e fiz a minha última súplica pela menina: “Mãe, fiz este Caminho em oração pela cura da Maria Raquel, peço-te que lhe concedas a tua Graça Divina para que possa viver  saudável e feliz! ”

Confessei e comunguei!

Nunca me sentira tão feliz por ter ali chegado.

A chegada nada me dizia quanto ao alívio da dor ou a satisfação do caminho cumprido, mais sim uma alma renovada leve e confiante.

Regressei ao Porto, comigo trazia para a Maria Raquel a credencial de Peregrino que havia feito em seu nome marcando cada lugar por onde passei e orei.

Não sei como continuar a escrever o quero dizer, vou dizer como sempre disse.

Maria castigou-me, agora minhas peregrinações têm sentido e jamais deixarei de partir!

A Maria Raquel foi Curada!

Nesse mesmo ano Peregrinei a Santiago e dei início ao apoio à Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima nas marcações dos caminhos pelos campos, e o meu Guia Joaquim inscreveu-me como guia de Peregrinos da Mensagem de Fátima!

Estou de novo grato pelas graças concedidas, estarei no caminho para apoiar e guiar quem precisar.

E assim tem sido ano após ano já há 10 anos.

Ouvir falar em milagres, mesmo sendo crentes, tem aquela dúvida sempre científica a tentar justificar, ver acontecer e sentir que fizemos parte dele é marcar o nosso ser para sempre.

Bendita sejas Maria pelas graças que nos dais! Ámen.

Pedro Diogo

Guia de Peregrinos

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