Arcebispo do Luxemburgo desafia migrantes a usar a sua fé para devolver Deus à Europa

A partir de Fátima, cardeal volta a elogiar a fé dos emigrantes portugueses e diz que são “um sinal de esperança” para a Igreja.

 

O cardeal Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo, elogiou esta manhã, em Fátima, a fé e a religiosidade do povo português, que deve ser posta ao serviço da Igreja.

“Caros amigos, portugueses, caros emigrantes, caros refugiados, com as vossas mãos, trabalho, suor do rosto, inteligência, sacrifício das vossas famílias, tendes ajudado a construir a riqueza económica e cultural dos países que, por esse mundo fora, vos acolhem” afirmou desafiando os emigrantes portugueses a fazer o mesmo no que toca à fé.

“A Europa hoje vive longe de Deus, esqueceu-O! Com o vosso espírito de serviço, com a vossa fé e vossa religiosidade procurai continuar a ajudar os países que vos acolhem para viver, a não perderem a esperança” disse o cardeal luxemburguês.

“As paróquias precisam de homens e mulheres, jovens e adultos, dispostos a servir o Evangelho e o próximo ; na catequese não é necessário ter um doutor em teologia, mas uma fé viva é bem mais importante e fecunda na transmissão da fé aos mais novos ou adultos; nos grupos de solidariedade cristã são precisas pessoas abertas que favoreçam o acolhimento dos refugiados e migrantes. Irmão, Irmã: a Igreja precisa de Ti!” exortou o prelado nas duas homilias que proferiu e nas quais expressou uma grande simpatia pelo povo português, que conhece bem já que preside a uma diocese que tem entre os seus residentes um sexto de portugueses.

“Eu próprio tenho a alegria de poder encontrar frequentemente muitas famílias portuguesas e lusófonas que vivem na arquidiocese do Luxemburgo. As comunidades portuguesas são um sinal de esperança para a Igreja de Cristo que peregrina no Grão-Ducado do Luxemburgo”, disse ainda ao salientar que os migrantes são fundamentais para o desenvolvimento dos diferentes países.

O cardeal, um dos mais novos do colégio cardinalício, escolhido pelo Papa Francisco destacou a “comunhão e a interculturalidade” como factores de renovação da Igreja e, por isso, agradeceu, o serviço prestado por todos os migrantes “ao bem-comum da sociedade e da Igreja”.

2021-08-13_Missa_1.jpg

Andor com a Imagem de Nossa Senhora percorre o Recinto de Oração, no início da Missa Internacional Aniversária.

A partir da liturgia proclamada na Missa da peregrinação que faz memória da quarta aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, a única que ocorreu fora da Cova da Iria, nos Valinhos a 19 de agosto, o cardeal sublinhou o poder da oração e da sua influência na conversão dos corações.

“Será que acreditamos mesmo na ressurreição de Jesus e na ressurreição dos mortos? Vós dir-me-eis: talvez, com certeza, pois, de outro modo, não estaríamos aqui em Fátima, mas em nossa casa” interpelou o prelado ao lembrar que com Maria “aprendemos a confiar”.

“Estou certo de que muitos de nós — peregrinos de Fátima — viemos a este Santuário, com o mesmo género de orações: pela saúde dos familiares, os problemas do trabalho, a preocupação com o sucesso escolar dos filhos e netos, as incertezas da emigração, entre outras” reconheceu.

“Também nós, como Maria, temos a feliz oportunidade de, agora e aqui – neste lugar sagrado – reencontrar Jesus na Palavra de Deus, nesta solene Eucaristia e na Sagrada comunhão. Este encontro encerra uma força de mudança nas nossas orações: elas são invadidas pelo sentimento da presença real de Jesus, e a nossa oração de súplica pode atingir a oração de louvor”, concluiu.

“Caros peregrinos, caros emigrantes: nós podemos viver a mesma experiência aqui de consolação, da esperança”, disse lembrando que “Se, como Maria, queremos atingir a consolação da esperança, temos que nos colocar ao serviço dos outros”.

“Apelo-vos a alargar este espírito de serviço aos vossos vizinhos, às pessoas com quem vos cruzais habitualmente, aos vossos amigos. Porque não roubar tempo ao tempo para visitar os irmãos doentes ou idosos? A verdade é que, a fé sem espírito de serviço não passa de um sentimento… e os sentimentos são passageiros”.

2021-08-13_Missa_3.jpg

A presença de peregrinos estrangeiros já se fez notar nesta peregrinação.

A peregrinação de agosto trouxe a Fátima milhares de pessoas entre las muitos emigrantes portugueses e três grupos estrangeiros organizados de Espanha (2) e da Polónia, que esta manhã 90% da lotação prevista para esta peregrinação ainda em tempo de pandemia que reuniu 47 sacerdotes, 5 bispos e 2 cardeais.

Destaque para a oferta de trigo, uma iniciativa que começou a 13 de agosto de 1940, quando um grupo de jovens da Juventude Agrária Católica, de 17 paróquias da diocese de Leiria, ofereceu 30 alqueires de trigo destinados ao fabrico de hóstias para consumo no Santuário de Fátima. Desde então, os peregrinos, já não só de Leiria, mas também de outras dioceses do país, e até do estrangeiro, têm vindo a dar continuidade, ano após ano, a esta oferta.

Durante o ano de 2020, foram oferecidos 4973 quilos de trigo e 504,50 quilos de farinha. Consumiram-se, no Santuário de Fátima, aproximadamente, 7000 hóstias médias, 50 hóstias grandes, cerca de 371300 partículas e 30 partículas para celíacos. Foram celebradas 2784 missas.

2021-08-13_Missa_2.jpg

A tradicional oferta do trigo cumpriu-se pela 81ª vez nesta peregrinação de agosto.

Depois da comunhão, na habitual palavra dirigida ao doente, Eugénia Quaresma, da Obra Católica Portuguesa de Migrações, deu graças pelo “Deus de Amor, que se faz presente nas visitas, nos cuidados de familiares, profissionais e voluntários que, por vocação, se dedicam a salvar vidas” e “pela delicadeza de tantos anónimos, que se fazem inesperadamente próximos, como o Bom Samaritano e o Estalajadeiro”.

Com referência os tema pastoral que dá mote a este ano pastoral no Santuário de Fátima: “Louvai o Senhor que levanta os fracos”, Eugénia Quaresma convidou os doentes a, com ela, rezarem para compreender e aceitar a vulnerabilidade humana que a doença traz, “com o sentido que o Senhor mais anseia: um coração disponível para se compadecer, converter e amar”.

No final da celebração, na tradicional mensagem aos peregrinos, o bispo de Leiria-Fátima sublinhou dois aspetos particulares desta peregrinação de agosto, ao considerá-la “uma experiência viva da fraternidade universal” e uma “evidência de que a oração do Santuário está ligada à geografia do mundo, a todas as necessidades e problemas de todos os povos e países, de onde parte e chegam todos os emigrantes e refugiados”.

“É belo fazer esta experiência aqui no Santuário Aqui, na casa da mãe, senti-nos todos irmãos. (…) A nossa oração é universal e torna o nosso coração universal também… E aqui recebemos, por intercessão de Maria, o dom da consolação, da esperança, da fortaleza e da alegria, para caminharmos e construirmos juntos um futuro de justiça e de paz”, disse D. António Marto, que agradeceu a presença e a mensagem que o cardeal Jean-Claude Hollerich, presidente da peregrinação deixou, elogiando o seu empenho na defesa da “dignidade e dos direitos dos migrantes e refugiados”.

O bispo de Leiria-Fátima agradeceu ainda a presença dos peregrinos mais pequenos, a quem desejou boas férias e enviou uma bênção especial aos doentes, que seguiram a celebração pelos meios de comunicação social.

Ainda esta sexta-feira haverá a evocação da queda do Muro de Berlim, uma oração integrada no Rosário Internacional das 21h30.

Inaugurado em 13 de agosto de 1994, este monumento, no recinto de Oração, é um bloco do muro que, construído na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, dividiu a cidade de Berlim durante quase trinta anos, vindo a ser demolido em novembro de 1989. O bloco, que pesa 2,6 toneladas e mede 3,6 por 1,2 metros, foi oferecido por um português residente na Alemanha. O arranjo do monumento é do arquiteto José Carlos Loureiro.

 

Inf. Santuário de Fátima

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

Deixe uma resposta

*