As alianças matrimoniais e João XXIII

Fez dia 23 de Novembro 62 anos um “Decreto” da Sagrada Penitenciaria, do Vaticano (AAS 51 – 921) que já caiu no esquecimento ou que de todo nunca foi conhecido e divulgado. Contudo, e sobretudo nestes nossos dias de dissolução da Família pela destruição do vínculo do matrimónio promovido e recusado, este Decreto é de uma actualidade pastoral fabulosa.

O Papa , “no sentido de encorajar o amor conjugal e a fidelidade, sobretudo nestes tempos quando os  direitos natural e divino da vida matrimonial sofrem ataques frequentes e infelizes”, já assim o sentia e pressentia o Papa que, em boa hora, convocou o II Concílio do Vaticano, concedeu “ Indulgência Parcial” a todos os casais que uma ou mais vezes por dia beijem a sua aliança ( não o chamado anel de casamento cujo significado é diferente)  ou a do seu cônjuge , e simultaneamente rezem uma curta jaculatória, espontânea ou não, que os faça recordar e viver o espírito da aliança que trocaram no dia do seu casamento, em que o noivo deu à noiva uma aliança e vice-versa.

“É preciso que os cônjuges descubram o sentido da aliança que trazem no dedo todos os dias, beijá-la todos os dias, prometendo um ao outro o respeito, a honestidade de hábitos, a santa paciência do perdão mútuo nas pequenas faltas. E que olhem para esta aliança que carregam como vínculo de indissolubilidade em que os filhos que Deus lhes deu aprendam a crescer nas virtudes sagradas que agradam a Deus e alegram Jesus, e que mais tarde alegram a própria família, que assim saberá ser testemunha de como vivemos como cristãos e como seremos felizes vencendo juntos as grandes dificuldades da vida todos os dias.” (Cf. Aleteia, 16.X.21).

Não seria um gesto a divulgar?

Não seria muito mais significativo sugerir o beijo das respectivas alianças após a bênção e imposição recíproca das mesmas do que o beijo trocado tantas vezes não passando de uma exibição vazia de um amor já tão poluído?

Na realidade, a aliança tem um significado sobre o qual pensamos pouco. E tendemos a substituir esta palavra por anel que nos conduz a uma prisão descartável como qualquer outra peça de adorno dos dedos. A aliança tem e terá de ter o significado do compromisso de um noivo para com o outro, diante de Deus, representado pelo Sacerdote, tal como a aliança, simbolizado no arco iris que Deus fez aparecer para significar a Sua compromisso estabelecido com o povo de Israel a que Deus é fiel e indissolúvel da mesma.

Assim, a aliança conjugal, remete-nos para a indissolubilidade da aliança de Deus com Israel e recorda aos cônjuges que a deverão trazer sempre o carácter indissolúvel do matrimónio e, obviamente, recorda-nos e convida-nos à fidelidade mútua.

Deixo, pois estas propostas:

  1. Digamos ALIANÇA e não anel.
  2. Beijemos aquela, a que trazemos e a que traz o nosso cônjuge.
  3. Introduzamos o costume de os noivos começarem este gesto de amor logo no dia em que casam. Não custa nada. Não dói. É um gesto cheio de beleza significante.

 

Carlos Aguiar Gomes * Professor * Braga

 

 

 

 

 

 

 

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