Para pensar: qual é o sentido da vida?

Vários filósofos tentaram dar resposta a esta questão ao longo dos séculos e agora cabe-me a mim encontrar uma solução para este problema.

Apesar de algumas crises existenciais que são normais na vida de qualquer adolescente, nunca tinha pensado aprofundadamente sobre o sentido da minha vida. Contudo, este assunto tem grande relevância na minha idade, uma vez que é agora que tomamos decisões fundamentais para o nosso futuro, nomeadamente a escolha das nossas carreiras. Para além disso, começamo-nos a aperceber que o mundo não é apenas feito de arco-íris e unicórnios.

Antes de me focar na minha filosofia de vida queria salientar que esta é completamente descolada da teoria de Tolstoi –  a vida adquire sentido na vida para além da morte e tem um objetivo definido que é viver no paraíso com Deus. Isto porque não tenho qualquer evidência racional de que exista tal vida para além da morte e, portanto, considero que não faz sentido atribuir o motivo da minha existência a algo que eu não tenho a certeza que existe. Deste modo, a minha atribuição de sentido vai focar-se no real e no concreto, por outras palavras, aquilo que eu tenho a certeza que existe: o mundo à minha volta.

A perspetiva com que eu mais me identifico é a de Albert Camus – a vida é absurda, não tendo uma finalidade nem sentido, uma vez que só existimos por existir, estamos aqui por uma série de evoluções e acontecimentos fortuitos que simplesmente aconteceram. No entanto, o facto de a vida ser absurda não lhe tira qualquer tipo de valor, continua a ser possível desfrutarmos dos amigos, das relações amorosas, até da própria comida. Assim, para mim o valor da vida assenta na procura pela felicidade e pelo prazer, sendo esta procura diferente para cada pessoa, bem como os meios para atingir essa finalidade, já que somos todos indivíduos independentes. Consequentemente, os critérios que cada um usa para definir a sua felicidade são completamente subjetivos, logo, a vida não tem um sentido objetivo.

É possível enquadrar a teoria de Nietzsche e Peter Singer dentro deste raciocínio, tendo em conta alguns pressupostos. No caso de Nietzsche, que se foca na superação pessoal como objetivo primário da vida, o seu pensamento fará sentido se essa superação for motivo de felicidade e prazer para o indivíduo em questão. Isto aplica-se a mim, mas talvez se deva à minha constante prática de desporto e atividade física, que sempre me motivaram a tentar ser melhor. Para uma pessoa com uma vivência diferente tal pode não ser verdade, ou seja, a superação pessoal pode não ter qualquer efeito na busca pelo prazer e pela felicidade. De modo análogo, também o altruísmo de Peter Singer pode fazer sentido, dependendo se resultar em felicidade e prazer no indivíduo que o praticar.

Em suma, tenho consciência de que a minha filosofia de vida é ligeiramente egoísta uma vez que, no final de contas, estou a viver somente para mim e para a minha própria felicidade. Mas tal é concordante com a natureza egoísta do homem. Afinal, somos todos seres individuais completamente descolados do mundo, logo, ninguém sabe viver a nossa vida como nós próprios.

Margarida Oliveira

Aluna do Secundário no Colégio Nossa Senhora da Paz

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