A Senhora da Oração

Maria de Nazaré foi a “Virgem dada à oração”. No silêncio interior do seu coração centrava-Se em Deus, no amor uno e trino, buscava razões para acreditar e dar sempre mais, fazia silêncio orante e recolhido. S. Lucas, o Evangelista da Virgem Maria, afirma que Ela “ponderava no seu coração, recolhia-Se em Deus e com Deus, procurava força para, meditando na Palavra e nos acontecimentos, aceitar a vontade de Deus, entender o inefável, “ver o invisível”, perceber as divinas razões. Era assim que habitualmente a Senhora rezava no íntimo do seu coração. Mas rezou de outros modos, como no dia da Visitação, no Magnificat, numa maravilhosa oração, cântico de louvor. Os pobres e humildes sabem descobrir as maravilhas de Deus e louvar. Foi assim com Nossa Senhora: “Deus fez em Mim maravilhas”. Reconhecendo os dons, as graças, as maravilhas, louva, bendiz, glorifica. É modelo do nosso “lausperene”. Devemos, como Ela estar em contínuo louvor. Que não nos falte humildade de coração para “ver” as graças e bênçãos de Deus, pois Ele revela-Se aos pequenos e humildes. Descubramos o dom da oração de louvor e lancemo-nos a imitar a Senhora do Magnificat. Que não cesse nunca o nosso louvor.

Aprender com Maria Orante

Não basta rezar a Nossa Senhora. Precisamos de parar, refletir, meditar e contemplar como Ela rezava. Maria é Mestra de Oração, no tempo e nos modos. Na Apresentação que celebramos a 2 de fevereiro, Ela reza oferecendo o Menino ao Pai. Modelo da nossa oração de oferta, do que somos e temos, da nossa consagração, da oferta do trabalho, das dores e das alegrias, com o Menino que a Virgem Orante oferece no Templo. Mas a Senhora também reza pedindo, suplicando. Como é encantadora a sua acção a sua súplica em Caná, alcançando o primeiro milagre, a mudança da água em vinho, aumentando a alegria dos noivos e da festa, antecipando-se a uma pequena desgraça ou desgosto no meio da boda, fazendo crescer a fé dos apóstolos. Tudo o que é nosso bem Lhe interessa. Ela, a Mãe Orante, pede, intercede, suplica, sugere a Jesus e alcança milagres. Acreditamos nisto? Metemos tudo e todos no seu Coração de Mãe Orante? E a Senhora, a Virgem dada à Oração foi heróica na sua atitude, de pé, junto à cruz rezando e oferecendo o Filho e oferecendo-Se com Ele. Foi o seu “sim” mais amoroso, mais heroico e mais frutuoso. Foi o sim da “redenção “ operada por Jesus, seu Filho, a Vítima do holocausto. Rezar sofrendo, sofrer rezando, oferecendo dores e dificuldades com Maria e como Maria, a Mãe das Dores.

Rezar em Igreja

O último dado biográfico, cronológico da Escritura sobre a Senhora, deixa-no-La, orante em Igreja, em novena de Pentecostes, em oração com a comunidade primitiva, sendo suporte e ajuda para os apóstolos e os discípulos no Cenáculo. Rezar em Igreja e com a Igreja. Rezar pela Igreja, suplicar sem cessar o Espírito, é a última grande lição da Senhora. E é desse Espirito que todos precisamos muito. A Mãe pede connosco, reza connosco, ficou a rezar em Igreja… E no Céu, depois da sua Assunção gloriosa, não faz outra coisa, do que ser medianeira e rezar por nós e pela Esposa de seu Filho, a Santa Mãe Igreja, rezar pela Humanidade que Lhe foi entregue no Calvário, rezar pelo Papa e pelos bispos sucessores dos apóstolos com quem rezou no Cenáculo, rezar pelas famílias, pois sabe bem o que é ser mãe de família e viver em família. A Senhora quer ajudar a Igreja a ser como Ela, pobre e serva, humilde e dedicada aos pobres. A Senhora quer continuar a suplicar a nossa conversão para alcançarmos novo Pentecostes. É assim que a Senhora dada à Oração, se torna cada vez mais nossa Mãe e Mestra, nosso modelo.

 

P. Dário Pedroso * sacerdote jesuíta

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

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