A Senhora da Caridade

A vida cristã é convite incessante à conversão, sobretudo conversão à caridade, pois a caminhada evangélica, é sempre um desafio a amar. A Senhora da Caridade vai ser nosso modelo e nosso auxílio, nosso amparo e nossa Mestra. A santidade é o amor, pois é em nós, a vida de Deus, e Deus é Amor. Ser santo é amar, amar sempre, amar melhor, amar mais. Traduzir o amor, multiplicá-lo em muitas obras e facetas, pois o amor está mais em obras que em palavras. Cada ato de amor é verdadeira ressurreição, pois ao amarmos passamos da morte à vida. E S. João nos interpela e admoesta dizendo-nos: “Quem diz que ama a Deus e não ama o próximo é mentiroso”. Repleta de Deus, da vida de Deus, em união de vida e de amor com a Trindade Santa, Nossa Senhora viveu a caridade mais plena e mais bela na vida da humanidade. Nenhuma criatura amou como Ela, pois amou a Deus e amou o próximo com toda a sua alma e o seu coração, com todo o seu ser, de Filha de Deus Pai, de Mãe de Deus Filho, de Esposa de Deus Espírito. E o amor quanto mais universal mais divino, por isso o da Senhora, mesmo sendo humana, seu amor se assemelhava ao de Deus. Porque foi universal, amou a todos, amou e ama a humanidade inteira. Nela nunca houve falta de amor, de caridade, de paciência, de dedicação, como nunca houve sentimentos ou ações de egoísmo, crítica, agressividade, menos ainda de falta de perdão, de rancor ou ódio. Maria Santíssima foi e é a Senhora da caridade vivida, qual flor que nunca murcha.

Exemplos vivos

Amar foi dizer sim a Deus e afirmar “eis a escrava, faça-se” e a Encarnação fez-Se. Amar foi ir apressadamente para a montanha para servir e acompanhar Isabel, sua parente, até ao nascimento de João Baptista. Amar foi viver a vida quotidiana oculta, no serviço da família, no amor e partilha com os mais pobres, no ouvir quem precisava, no visitar um doente ou idoso, no partilhar refeição com quem precisava, no ajudar e servir José e Jesus, no consolar, no estar presente sempre que era necessário. Amar foi a sua discreta, mas atenta atitude nas bodas de Caná, alcançando do Filho o primeiro milagre que alegrou os noivos e os convidados e fez crescer a fé dos apóstolos. Amar foi a heroicidade de ficar só e deixar Jesus partir para a vida pública. Amar foi acompanhar Jesus na paixão e estar com Ele, junto à Cruz, a sofrer com Ele e a oferecê-Lo por nós, em “sim” heroico de amor junto à Cruz. Amar foi aceitar ser nossa Mãe e acolher São João como filho. Amar foi consolar os apóstolos e discípulos depois da morte e sepultura de Jesus. Amar foi partilhar a alegria da Ressurreição e alegrar-se com os seus “novos filhos”. Amar foi rezar com a Comunidade e aguardar a vinda do Espírito Santo. Amar é o que faz agora, do céu, rezando por nós, acolhendo nossas súplicas, velando pela Igreja. Tantas formas de amar que temos de imitar, para sermos filhos parecidos com a Mãe, a Senhora da caridade vivida.

Modelo de caridade

Maria, como Mãe, é nosso modelo em tudo. Como filhos e filhas temos de ser parecidos com a Mãe. E na capacidade de amor, na abertura ao amor de Deus e do próximo, Maria é estímulo para todos nós. A Mãe nos ensina, no Evangelho, muitos modos maravilhosos de amar e servir, muitas maneiras de ser testemunhos do amor de Deus. Aprendamos com a Mãe a amar e servir, a dar-nos e a dar, do que somos e temos, como Maria de Nazaré. O mundo, a Igreja, as famílias, as paróquias necessitam de amor. Com Maria aprendamos a arte de amar, de testemunhar que Deus é Amor, aprendamos a ir ao encontro do pobre, do doente, do marginal, dos que vivem nos desertos sem Deus, sem pão, sem amor. Partamos, com Maria da Visitação, pelos caminhos do mundo, para servir e amar, para semear paz e alegria, para consolar, para escutar, para ajudar. Convidemos outros a partilhar connosco esta maravilhosa aventura de fazer o bem, de servir, de consolar, de repartir. E amar deve ser também ajudar e ensinar a rezar, ajudar a viver a fé e os sacramentos. Amar é ajudar a ler e a saborear a Palavra que salva e converte.

 

 

P. Dário Pedroso, sacerdote jesuíta

 

 

 

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

3 Comments

  1. Obrigada Senhor Padre Dário para estas palavras sempre actuais e belas ! E chegam sempre na hora certa. Obrigada Elfriede

Deixe uma resposta

*