«Resistir à mentira»

Não! Não me estou a referir às mentiras e falsas promessas com que nos inundam a toda a hora em período eleitoral. Algumas são tão óbvias que, mesmo os mais distraídos dão conta das “fábulas” que nos tentam impingir. Faz parte da arquitectura de uma Democracia decadente a mentira em que vivemos. Um “paraíso” que os arquitectos da mentira nos impingem.

O título que dei a este meu artigo refere-se ao título de uma obra absolutamente notável de um autor – Rod Dreher – cuja tradução francesa acaba de sair. Em francês a obra a que estou a fazer referência é “RÉSISTER AU MENSONGE” (“Resistir à mentira”), das Edições Artège. O título do original é mais expressivo ainda que mais longo: «Live not by lies: a Manual for Christian Dissidents».

Rod Deher, é um cristão Ortodoxo, que vem do Metodismo tendo passado pelo Catolicismo. Jornalista que conta no seu curriculum a colaboração que teve com o célebre “New York Times”, entre outros jornais. Porém , a sua grande obra, best- seller no EUA e noutros países, que li atentamente : « Comment être chrétien dans un monde qui ne l` est plus». Agora «oferece-nos» outra obra que, estou certo, será igualmente um êxito e cujo título já referi acima.

O autor, em 10 capítulos, aborda com profundidade o mundo da mentira em que vivemos e como podemos (e devemos) fazer frente a tanta mentira que está a desfigurar a nossa cultura para a destruir, que ´nos remete para “1984” de George Orwell. Vejamos, por exemplo:

  1. A desfiguração da nossa língua, aliás como está a ocorrer noutras mais ou menos velozmente, com a chamada “Linguagem inclusiva» que já começa a ser corrente entre nós. E nós sabemos os danos culturais que causam a introdução de invenções linguísticas sem sentido e ao arrepio da origem da nossa língua e à sua identidade própria.
  2. O “assalto” destrutivo às nossas tradições culturais, apagando-as do nosso quotidiano. Já reparou, caro leitor, por exemplo, que na época de Natal não se vê publicidade ao presépio nem ao Pai Natal. Este foi substituído por hipopótamos de saias. E as férias escolares de Natal passaram a ser férias de Inverno. Ou as feiras/festas anuais que eram dedicadas a um Santo passarem a ter outra designação (na Golegã a Feira de S. Martinho passou a Feira do Cavalo, por exemplo).
  3. A destruição demolidora da nossa História que se verifica todos os dias. Apagar os vestígios do nosso passado, caluniá-los e enxovalhar quem os defende. As palavras usadas para atingir este alvo são bem conhecidas de todos: racismo, esclavagismo, homofobia…
  4. O processo, recentemente iniciado entre nós, da ideologia “Wokista”, que substitui o chamado “politicamente correcto”, mas com a força da lei que nos pode prostergar, desempregar e perseguir se ousamos dizer o que pensamos de diferente dos “tutores” do pensamento dos outros. Estes “tutores” inundam muitas Faculdades, jornais e outros media. Estão em força nos Partidos, da Esquerda à Direita e nestes os “idiotas úteis” deixam-se ir arrastados pela moda (Vejamos a ligeireza com que o nosso Parlamento aprovou sem contestação os “Direitos Humanos na Era Digital”, sobretudo o parágrafo 6. E que o Chefe de Estado promulgou!!!).

 

…Por isso, urge fazer face à mentira. Cultivar o espírito crítico. Resistir. Ter a coragem de nos afirmarmos sem medo dos novos e ferozes censores e dos “Big Brothers” que abundam por aí.

Carlos Aguiar Gomes * Professor * Braga

 

 

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