Sentir romano: a Palavra e a Música (VIII)

Saluti a tutti!

 

Hoje, neste 4º domingo de julho, celebramos não só o XVII do Tempo Comum (Ano B), mas também a festa litúrgica de São Tiago Maior, apóstolo, e ainda o 1º Dia Mundial dos Avós de Idosos, instituído pelo Papa Francisco.

No Evangelho de hoje (Jo 6, 1-15) vemos Jesus que alimenta a grande multidão que dele se aproximou. É interessante verificar a forma como se realiza o milagre da multiplicação dos pães e peixes. De facto, é um simples rapaz que possibilita este milagre oferecendo os seus cinco pães de cevada e dois peixes. A lógica do apóstolo Filipe, que quantifica imediatamente a despesa de duzentos denários para alimentar a multidão, não funciona, não é eficaz para Jesus que, em vez disso, realiza o milagre através de instâncias aparentemente insignificantes: um rapaz, cinco pães, dois peixes.

Se reflectirmos, tudo isto nos envolve profundamente. De facto, perante as grandes escolhas da vida, como casar, ser pai, ser mãe, entrar no seminário, aceitar um desafio existencial ou profissional… procuramos imediatamente os “duzentos denários”. Basicamente, esperamos até sermos suficientemente maduros para casar, ter um filho, entrar no seminário… Esperamos até termos as competências certas, a experiência certa para aceitar um desafio.

Mas nunca teremos os “duzentos denários”, nunca seremos suficientemente maduros para o casamento, a paternidade, para ser um padre, para enfrentar desafios. Seremos apenas ricos nos nossos cinco pães e dois peixes, na nossa pobreza, fraquezas, incapacidade e medos, dos quais, talvez, até tenhamos um pouco de vergonha. E no entanto, é com estes cinco pães e dois peixes que o Senhor alimenta uma multidão, é com este nada que Ele nos leva a ser o povo que podemos ser. É com a nossa pobreza aceite, entregue, já não evitada e escondida de nós e dos outros, que o Senhor nos pode levar a ser o marido, a mulher, o pai, a mãe, o padre, o profissional que nunca pensámos que pudéssemos ser.

O Senhor está à nossa espera na verdade, sem mais defesas, projectos, planos, estratégias, para nos levar lentamente a “vida em abundância”.

 

A antífona de entrada, o Introito, da celebração de hoje é retirada do Salmo 67 (Sl 67, 6. 7. 36) com o seguinte texto: “Deus in loco sancto suo, Deus, qui habare facit unanimes in domo; ipse dabit virtutem et fortitudinem plebi suae” (Deus está no seu lugar santo, Deus que faz habitar pessoas unânimes na sua casa, Ele dará força e coragem ao seu povo).

A música em anexo, em canto gregoriano, é retirada do Graduale Triplex publicado em Solesmes em 1979.

 

A interpretação ao vivo é da Cappella Musicale Pontificia “Sistina” na Celebração Papal a 27 de Dezembro de 2015.

 

Desejo a todos(as) um santo domingo e boa semana.

P. Bruno Ferreira * Diocese do Porto * Roma

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