Sentir Romano: a Palavra e a Música (IX)

Saluti a tutti!

Regressado a Roma para o segundo ano de estudos superiores de Música Sacra, na vertente de Composição, no PIMS (Pontifício Instituto de Música Sacra), retomo novamente esta rubrica “Sentir Romano: a Palavra e a Música”. Possa novamente esta minha partilha pessoal ajudar na meditação da Palavra de Deus de cada domingo, assim como a sugestão musical que a acompanha.

O Evangelho de hoje (Mc 10,17-30) relata o encontro entre Jesus e aquele jovem que, ajoelhado diante dele, lhe pergunta: “Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?

A questão deste jovem é a questão fundamental e decisiva para a verdadeira qualidade das nossas vidas. De facto, permitir a necessidade saudável de significado, de um lugar, de “verdade” para encontrar espaço na nossa existência é o que nos permite permanecer “vivos”, continuar em busca e não morrer interiormente.

E em cada idade da vida, para além do nosso dever, para além do esforço de sermos pessoas íntegras, bons estudantes, bons profissionais, boas mães, bons pais… Permanece, se formos honestos no reconhecimento disso, a necessidade de dar um sentido a tudo, de encontrar um ponto que unifique e coloque cada detalhe da nossa existência. E em cada idade da vida, o Senhor convida cada um de nós a “Vai, vende o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem! Sigam-me!” É nossa tarefa compreender o que devemos “deixar, onde devemos “seguir” hoje o Senhor. Se não o fizermos, morreremos lentamente, tal como um profissional que, se não evoluir e continuar a estudar e a questionar-se, não fica parado mas escorrega imperceptivelmente cada vez mais no desarmamento e no grotesco amadorismo.

E hoje o Senhor desafia-nos, com a idade que temos, com o que estamos pontualmente a fazer sobre a verdadeira qualidade das nossas vidas, nomeadamente sobre o que devemos deixar para trás hoje para que a nossa existência sirva a Verdade, sobre onde devemos ir hoje, para “seguir” o Senhor para partir, para nos libertarmos da diabólica ilusão de viver.

A antífona de entrada, o Introito da celebração de hoje é retirada do Salmo 129 (Sl 129:3-4) com o seguinte texto: “Si iniquitates observaveris Domine, Domine quis sustinebit? Quia apud te propitiatio est, Deus Israel” (Se olhares para as iniquidades, Senhor, quem será capaz de se sustentar? Mas em Vós está o perdão, Deus de Israel).

A música em anexo, em canto gregoriano, é retirada do Graduale Triplex publicado em Solesmes em 1979.

A interpretação, ao vivo, é feita pela Cappella Musicale Pontificia “Sistina” na Celebração Papal a 14 de Outubro de 2018.

Desejo um santo domingo e uma boa semana.

P. Bruno Ferreira * Sacerdote do Porto * Roma

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