Está(s) doente?

Está doente? Pergunta de retórica ou verdadeira vontade de ajudar, interesse interessado? Depende.
Perguntas pelo estado do CORPO?
Talvez não me possas ajudar. Terei de procurar o(s) especialista(s), confiar no seu diagnóstico e seguir a terapêutica que me indicar. Em alguns casos, as melhorias (curas) hão de acontecer; noutros, podem ser remediadas ou adiadas as consequências. Sujeito ao desgaste da idade e condições de vida, há sempre a possibilidade de minorar os estragos e obter alguma qualidade e vida.
Perguntas pelo estado da ALMA?
Talvez me possas ajudar. Os teus conselhos sábios, o teu testemunho de fé e a intimidade com Deus podem levar-me a um exame de consciência sério e a pôr em causa critérios e prioridades em que vivo. A alegria e serenidade que brotam da Graça de Deus, o teu esforço por ouvir e seguir os Seus conselhos, a tua perseverança e preocupação para comigo, aliados à oração de súplica e perdão, podem incitar a minha purificação e conversão a Deus, à paz interior. Ajudado, bem certo, pelo sacramento da Reconciliação e pelo Aconselhamento Espiritual, pouco em voga.
Perguntas pelo estado da MENTE?
É mais complicado, tantas as causas que a destroem: injustiça, ingratidão, deceção, desilusão, vazio existencial, solidão, angústia, má-fé, maledicência, inveja, calúnia, desprezo, indiferença. São dores silenciosas, tantas vezes, mascaradas por sorrisos, que poucos percebem e tantos provocam. E transversais a todas as pessoas e âmbitos sociais.
Aqui, além de psicólogos ou psiquiatras, é a tua vez de não assistires passivo. Mais do que falares, age: afirmar a amizade, proximidade, apoio, presença; acolher, abraçar, aproximar, escutar, estar; defender, proteger, perdoar, denunciar; ir ao encontro, envolver-se, desacomodar, abrir horizontes, sair da concha.
E, mais importante ainda, entenderes o contributo para o estado atual ou a indiferença que não ajuda, antes agudiza. Não basta manifestar preocupação, é necessário combater as causas, a começar por cada um. Dizia Martin Luther King: «o que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.» Porque, “quem cala, consente”. Porque, «quem não está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa.» (Lc 11,23)
P. António Magalhães Sousa  *  Braga

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

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