A moda dos modos pacóvios: Tablet’s e dispositivos eletrónicos na Missa

António Spadaro, diretor da revista “Civiltà Cattolica”, docente e investigador na Universidade Gregoriana, consultor nos Pontifícios Conselhos da Cultura e das Comunicações Sociais, autor do livro “Ciberteologi@” (2013), conhecido como o “ciberteólogo” do Vaticano, defende que os diferentes dispositivos móveis como Ipad, Smartphones e tablets não podem substituir o Missal Romano nem os tradicionais livros na liturgia católica.

Segundo Spadaro, algumas mudanças no conceito de livro sagrado nos tempos do iPad e graças aos aplicativos que permitem rezar a oração do Breviário, ou o Missal (como o iBreviary), permitem difundir melhor o uso dos livros litúrgicos no mundo digital. Porém, «a página do Evangelho, permanece como parte integrante da ação ritual da comunidade cristã».

«É inimaginável que se leve em procissão um iPad ou um computador portátil, ou que numa liturgia um monitor seja solenemente incensado e beijado […] A liturgia, é o baluarte de resistência da relação texto-página contra a volatilização do texto desencarnado de uma página de tinta; o contexto no qual, a página permanece como o ‘corpo’ de um texto».

Ao contrário do que possa parecer, o padre não é moderno só porque usa tecnologia de vanguarda ou retrógrado (conservador, antiquado) só porque se recusa a usar tais meios. Da minha parte, apesar de dominar desde sempre os meios tecnológicos (o meu primeiro computador ainda abria com uma disquete) e até gostar de acompanhar as novidades tecnológicas e informáticas, jamais cairei no ridículo (pacóvio, enxovalho) de substituir o Evangeliário ou o Missal pelo iPad, Surface ou outras tecnologias.

Só a ideia de incensar ou beijar um tablet (iPad, Surface), onde literalmente pode estar tudo e servir para tudo, dá-me vómitos. Arrepia-me os (poucos) cabelos que, em vez de folhear o Missal com atenção, afeto e suavidade, o sacerdote se vá deleitando a passar o dedo pelo tablet (iPad, Surface), porventura entremeado de estranhos trejeitos… Se já não suporto sentar-me à mesa rodeado de gente refém de telemóveis como suportar que o sacerdote o use na mesa da Palavra e/ou do Pão?

Então, em jeito de resposta a quem sabiamente levantou a dúvida, por que razão há sacerdotes que o fazem? Desculpas haverão certamente inúmeras e não é por ser prático, acessível, moderno… A razão mais plausível foi dada dois séculos antes Cristo pelo sábio judeu: «Vaidade das vaidades – diz Coélet – vaidade das vaidades, tudo é vaidade.» (Ecl 1,2)

P. António Magalhães Sousa  *  Arquidiocese de Braga

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

Deixe uma resposta

*