36.ª Jornada Mundial da Juventude: Jovens, levantai-vos!

Na solenidade de Cristo Rei – por decisão do Papa Francisco – a Igreja celebra a Jornada Mundial da Juventude. Este ano a Mensagem é inspirada nas palavras de Jesus dirigidas a São Paulo: “LEVANTA-TE! Eu te constituo testemunha do que viste!” (cf. At 26, 16). O Papa começa por um convite: «Gostaria de tomar-vos pela mão, mais uma vez, para continuarmos juntos na peregrinação espiritual que nos conduz rumo à Jornada Mundial da Juventude de Lisboa em 2023».

Depois de lembrar as provações sofridas e as limitações causadas pela pandemia, podemos ler: «Mas, graças a Deus, este não é o único lado da moeda. Se a provação pôs a descoberto as nossas fragilidades, fez emergir também as nossas virtudes, nomeadamente a predisposição à solidariedade. Quando cai um jovem de certo modo cai a humanidade. Mas também é verdade que, quando um jovem se levanta, é como se o mundo inteiro se levantasse. Queridos jovens, que grande potencialidade tendes nas vossas mãos! Que força trazeis nos vossos corações!».

«Hoje, Deus diz a cada um de vós mais uma vez: “Levanta-te!” Espero de todo o coração que esta mensagem ajude a preparar-nos para tempos novos, para uma página nova na história da humanidade. Mas não há possibilidades de recomeçar sem vós, queridos jovens. Para levantar-se, o mundo precisa da vossa força, do vosso entusiasmo, da vossa paixão». E acrescenta: «É neste sentido que gostaria de meditar, juntamente convosco, sobre o trecho dos Atos dos Apóstolos onde Jesus diz a Paulo: “Levanta-te! Constituo-te testemunha do que viste”».

Ao ser chamado por Jesus pelo próprio nome, «o Senhor faz saber a Saulo que o conhece pessoalmente. É como se lhe dissesse: “Sei quem és, sei o que estás a tramar, mas, não obstante isso, é precisamente a ti que estou a falar”. Com efeito, só muda a vida um ENCONTRO PESSOAL, não anónimo, com Cristo. Será precisamente esta graça, este amor imerecido e incondicional, a luz que transformará radicalmente a vida de Saulo». Perante esta presença misteriosa que o chama pelo nome, Saulo pergunta: “Quem és tu, Senhor?”. Trata-se duma questão extremamente importante, e todos nós mais cedo ou mais tarde na vida a devemos colocar. Não basta ter ouvido outros a falarem de Cristo; é necessário falar com Ele pessoalmente. No fundo, rezar é isto”.

O Papa alerta ainda para o perigo da presunção: «Não podemos presumir que todos conheçam Jesus, mesmo na era da internet. A pergunta que muitas pessoas dirigem a Jesus e à Igreja é precisamente esta: “Quem és?”. Em toda a narrativa da vocação de São Paulo, esta é a única vez que ele fala. E, à sua pergunta, o Senhor responde: “Eu sou Jesus a quem tu persegues”».

«Através desta resposta, Jesus revela um grande mistério a Saulo: que Ele Se identifica com a Igreja, com os cristãos […] Quantas vezes ouvimos dizer: “JESUS SIM, A IGREJA NÃO”, como se um pudesse ser alternativa à outra. Não se pode conhecer Jesus, se não se conhece a Igreja. Só se pode conhecer Jesus por meio dos irmãos e irmãs da sua comunidade. Ninguém pode dizer-se plenamente cristão, se não viver a dimensão eclesial da fé».

Por isso, lembra o Papa aos jovens: «O Senhor escolhe alguém que até O persegue, completamente hostil a Ele e aos seus. Mas, para Deus, não há pessoa que seja irrecuperável. Através do encontro pessoal com Ele, é sempre possível recomeçar. Nenhum jovem está fora do alcance da graça e da misericórdia de Deus. Quantos jovens sentem a paixão de se opor e ir contra corrente, mas trazem escondida no coração a necessidade de se comprometer, de amar com todas as suas forças, de se identificar com uma missão! No jovem Saulo, Jesus vê exatamente isto».

O Papa avisa ainda que, às vezes, somos muito “CONVENCIDOS DA JUSTEZA DA NOSSA POSIÇÃO” e não vemos, somos cegos de algum modo. Mas, quando descobrimos as nossas fragilidades, o que sempre acontece, as certezas vacilam e de repente somos frágeis e pequenos. «Esta humildade – consciência da própria limitação – é fundamental. Quem pensa que sabe tudo sobre si mesmo, os outros e até sobre as verdades religiosas, terá dificuldade em encontrar Cristo. Tendo ficado cego, Saulo perdeu os seus pontos de referência. Ficando sozinho na escuridão, para ele as únicas coisas claras são a luz que viu e a voz que ouviu».

«A conversão de Paulo não é um voltar para trás – diz o Papa – mas abrir-se para uma perspetiva totalmente nova. É possível converter-se e renovar-se na vida ordinária, realizando as coisas que costumamos fazer, mas com o coração transformado e motivações diferentes». O Papa sublinha que, no caso de Paulo, «Jesus pede expressamente que vá até Damasco, para onde se dirigia. Paulo obedece, mas agora a finalidade e a perspetiva da viagem mudaram radicalmente. A partir de agora, verá a realidade com olhos novos: antes, eram os olhos do perseguidor justiceiro; a partir de agora, serão os do discípulo testemunha».

«Hoje, o convite de Cristo a Paulo é dirigido a cada um e cada uma de vós, jovens: Levanta-te! Não podes ficar por terra a ‘lamentar-te com pena de ti mesmo’; há uma missão que te espera! Também tu podes ser testemunha das obras que Jesus começou a realizar em ti. Por isso, em nome de Cristo, eu te digo: Levanta-te e testemunha a tua experiência de cego que encontrou a luz, viu o bem e a beleza de Deus em si mesmo, nos outros e na comunhão da Igreja que vence toda a solidão. O Senhor, a Igreja, o Papa confiam em vós e constituem-vos testemunhas junto de muitos outros jovens que encontrais pelos ‘caminhos de Damasco’ do nosso tempo».

P. António Magalhães Sousa  *  Braga

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