Púlpito: Os fiéis não são espectadores, mas atores e ministros da celebração

No último domingo do ano litúrgico iniciamos o percurso sinodal, a nível paroquial. As palavras-chave do Sínodo são três: comunhão, participação, missão. Gostaria de refletir convosco, a partir das três leituras, o alcance de cada uma destas palavras:

 

  1. Comunhão: Contemplemos, na 1.ª leitura, a imagem do Filho do Homem, a respeito do Qual profetizava Daniel: “Todos os povos, nações e línguas O serviram” (Dn 7,14). No centro de tudo está esta imagem de Cristo, Deus feito Homem, Cristo morto e ressuscitado por nós. A Igreja é um povo de mil rostos, uma comunidade de pessoas diferentes, de culturas diversas. Mas é só Cristo que nos reconcilia a todos com o Pai e nos une aos outros, no Espírito Santo. Por isso, a comunhão na Igreja não vive de simpatias humanas, de semelhanças de estilo ou de interesses comuns. A comunhão na Igreja encontra as suas raízes no amor e na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E, tal como no seio da Trindade, assim deve ser no coração da Igreja: o amor não anula, mas acolhe, integra e valoriza as diferenças; não destrói, mas promove a diversidade. Fazermos caminho juntos significa deixar que Cristo seja o centro a partir do qual todos, apesar de diferentes, nos tornarmos servidores do Seu Reino, dando cada um aquilo que tem de si e de seu. Que a nossa Paróquia se torne cada vez mais, para todos, casa e escola de comunhão!

 

  1. Participação: Contemplemos este mesmo Cristo a Quem João, na visão oferecida pela 2.ª leitura, designa por Príncipe dos Reis da Terra (Ap 1,5). Não é um rei cioso do seu poder ou do seu território. “Ele fez de todos nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai” (Ap 1,6). Por isso, todos os fiéis, todo o povo de Deus, é um povo de reis, quer dizer, somos um povo de servidores do Reino, em que todos colocamos ao serviço uns dos outros os dons que recebemos. Todo o povo de Deus é um povo sacerdotal, não por ser guiado por sacerdotes, mas porque Cristo nos torna a todos participantes do seu sacerdócio, isto é, participantes do dom e da oblação da Sua vida, participantes da Sua oração ao Pai, participantes do Seu sacrifício de louvor. Na Liturgia, por exemplo, os fiéis participam, isto é, tomam parte, não por delegação, não por substituição, não por favor ao sacerdote, mas por direito e dever que radicam no seu Batismo. Os fiéis não são espectadores, mas atores e ministros da celebração. Na vida de uma comunidade, por exemplo, este sacerdócio comum faz com que todos os fiéis se envolvam e corresponsabilizem na procura de um caminho comum, na elaboração de propostas e decisões, na realização das ações de toda a comunidade. Ninguém na paróquia se julgue colaborador do padre ao serviço da comunidade, mas que todos se sintam irmãos juntos ao serviço na comunidade. Procuremos que todos tomem parte e que ninguém seja posto à parte; que todos tenham vez e voz, sem esquecer os mais novos, os pobres e os distantes; que todos deem o seu contributo, com as suas ideias, os seus braços e os seus bens. Participemos, para que todos se sintam na Igreja como em sua casa.

 

  1. Missão: No Evangelho contemplamos Jesus, Rei de um Reino que é para o mundo, mas não é deste mundo. Então, Jesus revela-nos a Sua e a nossa missão: “Para isso nasci e vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade, escuta a minha voz” (Jo 18,37). Por isso, antes de anunciar, por palavras, é preciso dar testemunho com a própria vida de que “Deus é amor” (1 Jo 4,8); antes ainda de anunciar o Evangelho aos outros é preciso escutar e ler esse mesmo Evangelho na voz e na vida dos outros, pelos quais Deus nos fala. Escutar com humildade e falar com ousadia é a forma de percorrermos juntos um verdadeiro caminho de saída e com saída. Façamos da nossa Paróquia “não um grupo de eleitos que olham para si mesmos, mas um centro de constante envio missionário” (EG 28).

 

Irmãos e irmãs, que todo o processo sinodal, promotor da comunhão e da participação, tenha só em vista a missão da Igreja: evangelizar, isto é, gerar e dar à luz Jesus Cristo, na vida de cada pessoa e, a partir daí, fazer frutificar o Seu Reino no nosso mundo!

P. Amaro Gonçalo * Pároco da Senhora da Hora (Matosinhos) * Diocese do Porto

Título da responsabilidade do Religiolook.

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