Os avós e os idosos têm a dar de melhor nem sequer é algo de material. Eles enriquecem a família, a sociedade, a Igreja

Homilia no XVII Domingo Comum B 2021 – 1.º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

 

1. Como povo reunido à volta do Senhor, descobrimos a beleza de fazermos parte de uma mesma família e de nos sentirmos todos – mesmo os que já têm uma idade maior – filhos amados de um único Pai, que atua em todos e em todos Se encontra! Assim, compreendemos que ninguém se salva sozinho. Foi essa a experiência daquelas cinco mil pessoas, reunidas à volta de Jesus. Foi essa a consciência pessoal e social, que se tornou mais aguda, neste tempo difícil da pandemia. Foi, sobretudo, muito belo perceber, nesta luta contra a COVID-19, o cuidado sanitário e prioritário dedicado aos mais velhos. Nesta luta, percebemos que os avós e os idosos não se salvam sozinhos, porque precisam de pernas velozes, que possam levar adiante os seus sonhos. Mas também os mais novos não se salvam sozinhos, porque precisam da sabedoria que os oriente na sua navegação, quais estrelas no alto mar, e lhes dê a confiança de que, desta noite escura, pode raiar o sol de uma nova aurora!

2. A cena do Evangelho ajuda-nos a entender isto mesmo:  aquilo que cada um possui, por muito pouco que pareça, é um recurso valioso para todos. Um rapazito apresenta a Jesus cinco pães de cevada edois peixes. Parece nada e é tudo. O que importa não é ter pouco ou muito, mas oferecer ao Senhor e dispor gratuitamente tudo o que temos. Jesus não fica a deitar contas aos cinco pães edois peixes, mas bendiz, agradece, louva o Pai e reparte pela multidão. Na família, na sociedade, na comunidade, é normal que sejam os avós e os idosos os que têm alguma reserva, algum bem, de que podem dispor e partilhar, sobretudo quando falta o pão. E quantos avós não foram, não são ou não serão o seguro e a garantia do pão de cada dia… na sua própria família, com o alastrar desta terrível pandemia da pobreza?!

3. Mas, por vezes, o que os avós e os idosos têm a dar de melhor nem sequer é algo de material. Eles enriquecem a família, a sociedade, a Igreja, sobretudo, com o excesso da bondade, com a beleza da sua ternura. A maneira de amarem e cuidarem dos seus netos, mimando-os de graça, pode parecer-nos exagerada, mas este excesso do dom é a única medida que o amor conhece. Queridos avós e idosos, os vossos netos, os mais novos, não precisam só de pão e de peixe para a boca; precisam dos vossos cinco pães: 1.º, a vossa sabedoria; 2.º, os vossos afetos; 3.º, os vossos sonhos; 4.º, a vossa memória; 5.º, o vosso testemunho de fé. Eles precisam dos vossos dois peixes: 1.º, o vosso amor gratuito; 2.º, a vossa oração; em tempo de pandemia, esta oração acalenta a serena confiança de encontrar um porto seguro.

4.Queridos avós e idosos: não fiqueis a pensar que já é bastante o fardo da vossa solidão e da vossa fragilidade; não digais que já não tendes idade para nascer de novo ou para viverdes uma nova vocação. Não. Tendes uma verdadeira e própria vocação. Qual é ela? Diríamos que é tripla: é a vocação de ajudardes os netos e os mais novos a não perderem as suas raízes, tornando viva neles a memória agradecida, que é um bom alicerce da construção da vida e da fé; é ainda a vocação de transmitirdes a fé às novas gerações pelo testemunho da vossa confiança em Deus; é também a vocação de cuidardes e mimardes os vossos netos com a bênção dos afetos. Para esta missão, nenhum de vós pode dizer que está aposentado ou que já se reformou! Avante e coragem! Tende confiança: o Senhor está convosco, todos os dias!

5.Queridos netos, queridos irmãos mais novos: não olheis para os avós e para os idosos apenas como pessoas a quem cuidar e proteger. Não. Juntai-vos a nós e valorizai os avós. Sejamos gratos pela sua missão. Quantos avós acompanham os netos na Catequese e na Eucaristia e os vão levar e buscar à Escola? Quantos avós são a verdadeira retaguarda social das famílias, com horários laborais absorventes e impeditivos do acompanhamento dos filhos? Na nossa paróquia, quantos avós e idosos não colaboram nos serviços do anúncio, da liturgia, da caridade?

Obrigado,  queridos avós e idosos, por serdes atores de uma pastoral de gestação da fé nos mais novos. Obrigado por serdes testemunhas privilegiadas do amor fiel, mimoso e carinhoso do nosso Deus. O Senhor vos abençoe a todos na paz!

P. Amaro Gonçalo

Pároco da Senhora da Hora, Matosinhos

Diocese do Porto

Diariamente lemos o mundo na procura de sentido para encontrarmos a mensagem religiosa necessária para si. Fazemo-lo num tempo confuso que pretende calar o que temos para dizer. Sem apoios da nomenclatura publicitária, vimos dizer-lhe que precisamos de si porque o nosso trabalho não tendo preço necessita do seu apoio para continuarmos a apostar neste projecto jornalístico.

Deixe uma resposta

*